Advogado de casal defende que pena de 25 anos não é suficiente para Pedro Dias

O advogado dos familiares do casal baleado em Aguiar da Beira pediu hoje a pena máxima de 25 anos de prisão para Pedro Dias, apesar de considerar que a «justiça terrena» não será suficiente para o punir.
Durante as alegações finais, o advogado João Paulo Matias afirmou não ter dúvidas de que as mortes de Liliane e de Luís Pinto aconteceram depois de Pedro Dias ter baleado os militares da GNR Carlos Caetano (que morreu) e António Ferreira (que sobreviveu).
Na sua opinião, este é um dos casos em que o ordenamento jurídico português «devia repensar a pena máxima de prisão». Nesse âmbito, o advogado disse esperar que «a justiça divina também faça a sua parte do trabalho, além da justiça terrena».
Segundo João Paulo Matias, o casal saiu de Palhais, no concelho de Trancoso, entre as 05:20 e as 05:30 de 11 de outubro de 2016 com destino a Coimbra, para uma consulta. Atendendo às horas a que as viaturas do casal e da GNR foram filmadas pela câmara do posto de combustível da Quinta da Lameiras a passar na Estrada Nacional 229 e à distância de 1,4 quilómetros até à zona onde Luís e Liliane foram encontrados, o advogado considerou que os disparos terão ocorrido entre as 06:25 e as 06:40.
Estes crimes terão acontecido depois de já ter matado Carlos Caetano junto ao hotel em construção nas Caldas da Cavaca, onde a patrulha da GNR o abordou, e de ter disparado contra António Ferreira na Serra da Lapa, acrescentou. Na sua opinião, «foi para lançar confusão na investigação, para desviar a atenção de si próprio, que [Pedro Dias] criou este novo cenário de crime», fazendo crer que se tratava de «uma operação Stop que terá corrido mal». Isto porque, acrescentou, o arguido sabia que estava referenciado no posto da GNR de Aguiar da Beira e que, depois de Carlos Caetano e António Ferreira serem encontrados, «iria ser um dos suspeitos».
Tal demonstra «a frieza, o espírito calculista, a crueldade e a indiferença perante a vida humana» que o arguido tem, frisou, acrescentando que «as mentiras e o comportamento» que teve depois reforçam a convicção de que é culpado.
João Paulo Matias mostrou-se convencido de que todos estes crimes aconteceram apenas porque Pedro Dias não queria correr o risco «de poder perder a guarda da filha, que tinha a muito custo conseguido, a escassos dias dos acontecimentos».
Também o advogado da companheira de Carlos Caetano, Miranda Carvalho, pediu a pena máxima para Pedro Dias, considerando que, na versão que o arguido contou na quinta-feira ao tribunal, arranjou «lógicas quase absurdas para justificar o injustificável». Dirigindo-se ao colectivo de juízes, o advogado afirmou: «Ninguém perdoará se vossas excelências, com a prova que existe nos autos, a fundamentação e os depoimentos das testemunhas, não aplicarem ao arguido a pena de 25 anos».
Pedro Dias está acusado de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada, três crimes de homicídio qualificado sob a forma tentada, três crimes de sequestro, crimes de roubo de automóveis, de armas da GNR e de quantias em dinheiro, bem como de detenção, uso e porte de armas proibidas.
O julgamento prossegue durante a tarde, com as alegações finais da defesa de Pedro Dias.

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