Ao postigo

No meu mundo confinado sou obrigado a estar ao postigo para o ver e através dele consumir alguns dos bens e serviços que preciso. Olho crítico para o meu acesso aos bens que são vendidos nas livrarias e chego à conclusão de que estou impedido de participar nos processos científicos, logo naqueles em que sou considerado competente.

Senti-me perplexo quando ficou isso claro num desses processos emergenciais recentes em que se manteve tudo como estava, e apesar de estar claramente errado. Sinto-me ainda mais confuso quando esperava ser vacinado brevemente e disso estar impedido pela suspeição sobre a segurança de uma vacina, beneficiando assim outra farmacêutica que logo apareceu a propor um fornecimento adicional que antes dizia não ter.

Junta-se tal coisa a outros procedimentos ideologicamente enviesados de admissão de vacinas doutros países exteriores ao mundo anglo-saxão.

Tomo café ao postigo e compro uns livros da mesma forma e vejo como é difícil escolher algo que nos satisfaça quando tudo nos é mitigadamente permitido. Faz-se tudo a medo por a ciência, desde sempre sonhada, se mostrar incapaz de nos dar uma qualquer segura tranquilidade, trazendo-nos só uma imensa inquietude.

Vivemos a irreflexão de um governo nacional e supranacional que, infelizmente, não é capaz de colocar na ordem umas poucas de farmacêuticas que escolheu como confiáveis, deixando outras de fora por ter escassa reflexão do que está em jogo por o postigo por onde olha o mundo ser demasiado estreito.

E sabemos que os governos não são o único poder.

Sou assim obrigado a não acreditar nos variados projetos que do meu postigo vejo o governo propagandear, afirmando que muitos milhões vão ser investidos, mas logo vejo, como se afirma quase no fim do mês, que o governo vai processar subsídios de risco neste mundo perigoso. É os que todos sabemos que não vai acontecer. Andam por isso tranquilos entre os postigos e a isso se resume a nossa vida.

Apenas através dos postigos que o Facebook nos proporciona, vamos elucidando os amigos sobre alguns logros em que participam governantes e alguns chico-espertos seus amigos. Mas, logo os fazedores de opinião indicados pelo poder como gente sabedora, mas que é só sabida, nos vêm dar razões de esperança com mais umas mentiras.

Esperamos apenas e estamos bem assim por não desesperarmos.

Mas, bem perto de nós, lá nos brasis, uns governantes mal-amanhados vão tentando fugir das consequências geradas pela sua manipulação de leis e de testemunhos, acolitados por juízes que agora estão encurralados nas suas falsas verdades, sentindo que o seu destino é o fracasso. Acontece até por o governante ter tergiversado e gozado com os que convidou para gerir a Saúde, causando sempre mais incerteza num tempo difícil, aquele em que os mandantes parecem servir apenas para embaralhar. Servem-se por isso de muitos que apenas com palavras cautelosamente escolhidas acalmam temores dos que esperam a segurança que nunca virá. Mas, sabem todos que tudo resulta de um senhor que se quer manter no poder mal-ganho.

Enquanto se vive isso, acontecem por todo o lado situações insatisfatórias, todas quase sempre mal percecionadas pela gente comum que as sofre simplesmente.

E, por isso é sempre ao postigo ou aos postigos por onde espreitamos o mundo, que vamos refazendo a nossa perceção do real, tentando entendê-lo e, por fim, colocamo-nos todos em modo de sobrevivência, e só por estarmos em tempos de distanciamento. Nem sequer conferimos o nosso pensar numa conversa esclarecedora pois nos interditam os contactos francos onde muito pode ficar claro.

Assistimos apenas a um já visto dito por quem ainda não conseguiu ver para além do postigo a que continuamos confinados.

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