As Novas Invasões

Desde há um ano que vivemos uma pandemia que invadiu o mundo através dos mais variados de transporte, obrigando nesta terceira vaga ao encerramento de fronteiras e à contenção do transporte aéreo. Apesar disso furam estas regras uns senhores mais ricos do que os pobres e remediados, que usam aviões particulares com que transportam drogas perigosas para os viciados nelas. E os jornais vão nos dando conta de pormenores que nos ligam a personagens do nosso quotidiano televisivo. Tudo gente famosa e sem mácula se acreditarmos no que não dizem deles.

Também acreditaríamos na qualidade das decisões governamentais se as aferíssemos pela convicção com que os ministros e secretários de Estado as proclamam. Só as contestam os factos que mostram que algo falhou e isso temo-lo nas vacinações não concretizadas, cujas repercussões são minimizadas e até olvidadas por uma máquina de esquecimento logo posta em marcha. Só causa impressão o facto de haver tanta ciência não aplicada por tal não interessar às grandes empresas, que dominam a economia em que atuam como oligopolistas e onde conseguem calar tantas queixas que ouvimos em surdina.

Apesar de tanto silenciamento, encontramos escondidas nas livrarias obras sobre “As Invasões Biológicas em Portugal: História, Diversidade e Gestão”, editada pela Universidade do Porto em Junho de 2018, onde estão listados muito trabalhos científicos, com títulos tão apelativos que logo prometemos procurar nalguma biblioteca científica ou no Google logo que a pandemia nos deixar. Mas, a sua leitura dá-nos a certeza de que há ciência suficiente para controlarmos estas invasões. Só prejudica este controlo os interesses que impedem que tenhamos a capacidade social para o efetivar, possibilitando a destruição dos habitats naturais onde vivem plantas e animais deste modo colocados em risco.

Mostra-se assim o modo capitalista, em que vivemos, pouco cuidadoso do nosso habitat pois vai ocupando ou desocupando os territórios conforme os lucros que prevê e obtém. Assistimos por isso a incêndios gigantescos nos verões que, para nosso descontentamento, nos impossibilitam a vida agrícola e pecuária e para os que queriam gozar férias a impossibilidade de as terem em segurança. Prejudicada fica a produção de alimentos tanto pela agricultura como pela pecuária e a razão é a gestão da Natureza com uma tecnologia pouco amiga do ambiente, impedindo-a de ser suporte de uma vida saudável.

É disso que nos esquecemos quando confinados por ordem da Direção Geral de Saúde nos isolamos de tudo e não vivemos em pleno a vida, ansiando sempre por uma vacina que nunca mais aparece. Acontece por um estado supranacional se deixar enredar por lógicas comerciais, que assentam em princípios pseudocientíficos que as grandes farmacêuticas impõem para maximizarem lucros num mundo em risco pandémico.

Este condicionamento do Estado supranacional, que é a União Europeia impede que o mercado funcione e restringe a oferta de vacinas num processo que não é científico. É onde as farmacêuticas vivem tranquilas pois têm lucros assegurados e todos os custos de investigação e de engenharia foram suportados com os fundos europeus.

De facto, o processo de monopolização da Economia levou-nos a um mundo em que as empresas “too big to fail”, ou seja, demasiado grandes para falirem, são um sorvedouro de recursos públicos, impondo continuadamente novos impostos para as resgatar, que empobrecem os povos, esvaziando-lhe os campos e impedindo o progresso tecnológico e científico. Disso já nos tinha avisado Adam Smith que defendia a não intervenção do Estado já que ao salvá-las protege as empresas ineficientes e prejudica todas as outras.

Estamos por isso todos em risco pandémico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close