Calafrio estreia hoje peça baseada em obra de Gonçalo M. Tavares

O Teatro do Calafrio estreia esta noite, às 21h30, no Teatro Municipal da Guarda (TMG), a sua nova produção, a segunda deste ano, e voltou a escolher, pela terceira vez, uma obra de um autor português. Depois de “Osso” de Rui Zink, em Maio de 2017, “O cultivo de flores de plástico” de Afonso Cruz, estreada no passado mês de Maio, é a vez de “O Torcicologologista, Excelência” de Gonçalo M. Tavares, que estará em cena até ao próximo Sábado no Pequeno Auditório do TMG. É a nona produção do “Calafrio” e a terceira com base em obras de autores portugueses.
A peça tem adaptação dramatúrgica e encenação de Américo Rodrigues, escultura sonora de “The Animals Lab” e é protagonizada por Ana Couto, Ana Dinis, Luciano Amarelo e Solange Monteiro.
«Tudo o que é sério tem dois lados divertidos”: duas excelências conversam sobre amenidades e vãs filosofias. Autoridades de coisa nenhuma, os personagens travam diálogos que beiram o absurdo, mas um absurdo com método e um (curioso) rigor científico. Há aqui, é claro, a prosa habilidosa, a fuga aos padrões e toda a inventividade de Gonçalo M. Tavares. Nas entrelinhas, encontramos uma visão crítica da sociedade e suas incongruências, num texto que é, do início ao fim, marcado pelo humor», escreve Reginaldo Pujol Filho, citada pelo Calafrio em nota à imprensa.
Gonçalo M. Tavares, refere o escritor brasileiro, responsável pela organização da antologia “Desacordo Ortográfico”, lançada no Brasil e Portugal, «coloca algumas “excelências” a debater, elucubrar, sofismar, sobre como se faz uma revolução, o tempo, o espaço, a linguagem, o corpo, entre dezenas de assuntos».
«E aí está o torcicologologismo da coisa: os diálogos fazem-nos olhar para outros lados dos assuntos propostos e até mesmo para outros lados da ideia de lógica. É como se os personagens quisessem dizer que sofremos de torcicolo das ideias, sempre olhando para as mesmas ideias, para o mesmo lado de todas as questões», conclui.
Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Desde 2001 publicou livros em diferentes géneros literários e está a ser traduzido em mais de 50 países. Os seus livros receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro.
Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, dança, peças radiofónicas, curtas-metragens e objectos de artes plásticas, dança, vídeos de arte, ópera, performances, projectos de arquitectura e teses académicas, resume a nota do Calafrio, associação com sede no Rio Diz, na Guarda, que reúne criadores com larga experiência em diversas áreas artísticas, tais como o teatro, a literatura e a música.
Até agora, o Teatro do Calafrio já produziu as peças “Mas era proibido roer os ossos” (a partir de textos de Franz Kafka); “Empresta-me um revólver até amanhã” (a partir de “O canto do cisne” e “Trágico à força”, de Anton Tchekhov); “Bartleby” (a partir de “Bartleby, o Escrivão, uma História de Wall Street”, de Herman Melville); “Diário de um Louco” (a partir de “Diário de um louco”, de Nikolai Gógol); “O Ingénuo” (a partir de “O Ingénuo”, de Voltaire); “OssO” de Rui Zink, Maio de 2017; “O homem que não tinha inimigos e outras fábulas fantásticas” de Ambrose Bierce; e “O cultivo de flores de plástico” de Afonso Cruz. (foto de ensaio de autoria de Alexandre Costa)

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