CineEco sem apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual

O Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) rejeitou a candidatura do Cine’Eco – Festival Internacional de Cinema de Ambiente da Serra da Estrela ao programa de Apoio à Realização de Festivais de Cinema em Território Nacional 2020. Em causa está o promotor da candidatura, o município de Seia. «O festival é organizado pela Câmara Municipal e segundo a lei as câmaras não se podem candidatar a estes subsídios. Esta é a justificação oficial que nós tivemos», adianta Mário Jorge Branquinho, director e fundador daquele que é o único festival de cinema em Portugal dedicado à temática ambiental, no seu sentido mais abrangente, que se realiza naquela cidade desde 1995.

O que no entender da organização do festival é «estranho porque a candidatura foi aceite, passou uma ou duas etapas e depois só na última etapa é que foi rejeitada porque viram na lei que as câmaras não podem candidatar-se». Respeitando as questões legais, embora «não concordando», a autarquia «acatou» a decisão.

Esta não é a primeira vez que o CineEco se candidata aos apoios do ICA, é contudo a primeira vez que o faz através da Câmara de Seia. E a experiência não deixou as melhores recordações.

«Candidatámo-nos, não sei, mas [talvez há] dez, quinze anos atrás através da Empresa Municipal de Cultura [então responsável pela organização do festival], mas também na altura era tipo 5 mil euros de apoio e portanto houve uma altura em que desistimos porque achámos que era gozarem com quem trabalha», relata Mário Jorge Branquinho, que lamenta a falta de reconhecimento da importância do festival por parte do Instituto do Cinema e do Audiovisual.

«Eu pessoalmente, que acompanho isto há tantos anos, entendo que alguma coisa devia ser feita pelo próprio ICA, inclusivamente na cerimónia de abertura do último festival, em Outubro de 2020, eu próprio disse que esperava outra atitude do ICA em relação, por exemplo, à Cine’Eco», sublinha, questionando «como é que um festival que se realiza no Interior do país há 26 anos nunca teve uma palavra de apreço do ICA relativamente à organização do festival?».

«Não há um sinal de conforto, não há um sinal de estímulo, de incentivo ao muito trabalho que foi feito, por um lado, ao longo de uma semana do festival mas também ao longo do ano na promoção, na divulgação sobretudo também do cinema português que está cada vez mais presente no CineEco», afirma Mário Jorge Branquinho, lembrando que o cinema ambiental em língua portuguesa esteve em grande destaque na última edição do festival.

«Isto merecia do ICA também uma outra atitude que não tem acontecido», nomeadamente em «reconhecer o esforço de uma Câmara Municipal ao longo deste anos todos», reforça.

A viabilidade financeira do festival tem sido garantida através de «apoios alternativos» que o município tem procurado ao longos dos anos, «e tem conseguido, umas vezes mais outras vezes menos, mas nós enquanto organização procuramos sempre aliviar o esforço financeiro da Câmara através de outras candidaturas, de patrocinadores, de modo a que tenha um mínimo de investimento possível, e isso tem sido feito».

E a próxima edição do CineEco, a 27ª, agendada para a semana de 9 a 16 de Outubro, não é excepção. «No seio do município já estamos em contacto com patrocinadores, a elaborar candidaturas fora da esfera do ICA, precisamente para aliviar o esforço financeiro do município. Estamos a trabalhar nisso», adianta o director.

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