Comunistas assinalam hoje um século do partido com acções pelo país

O PCP assinala hoje os seus 100 anos com 100 acções, em mais algumas dezenas de locais. Espalhadas pelo país, haverá um «vasto conjunto de iniciativas, centrado nos problemas do país, dos trabalhadores e do povo», sob o lema da “Liberdade, Democracia, Socialismo”, em defesa de “direitos, a melhoria das condições de vida e o progresso social, contra a exploração e o empobrecimento”. No distrito da Guarda haverá duas acções, uma das quais começa às 14h30 com uma concentração na Alameda de Santo André, na Guarda, durante a qual se fará ouvir o hino “A Internacional”, seguida de intervenções políticas. Em Seia, a acção também está prevista para a mesma hora no Largo António Borges Pires. Para assinalar a data foram ainda colocadas 1000 bandeiras do PCP em Gouveia, Guarda e Seia.

O ponto alto das celebrações está previsto para Lisboa, num desfile em que vai participar Jerónimo de Sousa, secretário-geral dos comunistas. “100 anos, 100 acções”, “umas mais singelas, outras mais temáticas, como as definiu Jerónimo, são as iniciativas com que o partido substituiu o comício do centenário no Campo Pequeno, em Lisboa, anunciado há um ano e que foi cancelado devido à pandemia de covid-19.

O Campo Pequeno, em Lisboa, é um local simbólico para o partido, dado que foi aí que se realizou o primeiro grande comício do PCP a seguir ao 25 de Abril, com Álvaro Cunhal (1913-2005), o líder histórico dos comunistas portugueses.

Um grupo de 100 militantes, da JCP e do PCP, começa o desfile na Rua do Arsenal, onde trabalhava o operário que foi secretário-geral dos comunistas portugueses Bento Gonçalves, que morreu no Tarrafal, segue até à Rua da Madalena, onde, no n.º 225 – 1.º, o partido foi criado, em 06 de março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório.

O desfile segue depois até à rua António Maria Cardoso, onde foi a sede da polícia política, que prendeu, torturou e matou militantes do PCP, passa pelo Largo do Carmo, local onde, em 25 de Abril de 1974, Marcelo Caetano se rendeu ao Movimento das Forças Armadas (MFA), que derrubou a ditadura de 48 anos, a mais antiga da Europa.

Já no Rossio, decorado com dezenas de postes com a bandeira vermelha do partido, a exemplo do que acontecerá no Porto e noutras cidades, haverá canções e discursos, o último dos quais será de Jerónimo de Sousa.  

As comemorações do centenário do partido vão prolongar-se até 2022, e em Fevereiro o PCP lançou o livro “100 anos de luta ao serviço do povo e da pátria pela Democracia e o Socialismo”, de 300 páginas, que ilustra, em mais de 900 fotografias e imagens, momentos marcantes da história dos comunistas, das greves nos anos 1900 até à “revolução dos cravos”.

Fundado em 6 de Março de 1921, em Lisboa, o Partido Comunista Português (PCP) é o mais antigo partido político, esteve 47 anos na clandestinidade durante o Estado Novo e foi central na resistência à ditadura. Teve como secretários-gerais José Carlos Rates (1923-1925), Bento Gonçalves (1929-1942), Álvaro Cunhal (1961-1992), Carlos Carvalhas (1992-2004) e é actualmente liderado por Jerónimo de Sousa, desde 2004.

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