Dispositivo de combate a incêndios é reforçado a partir de Sábado

O dispositivo de combate a incêndios no distrito da Guarda esteve reforçado na semana passada, numa medida extraor-dinária após os aconteci-mentos de Pedrógão Grande e tendo em conta as condições climatéricas. O dispositivo voltou ao que estava previamente definido para esta época, mas neste Sábado será reforçado por se iniciar a fase Charlie. Haverá um aumento do número de equipas de combate a incêndios e mais um helicóptero.

Elisabete Gonçalves
elisagoncalves.terrasdabeira@gmpress.pt

Este Sábado inicia-se a fase Charlie, aquela que envolve maior quantidade de recursos no combate aos fogos florestais. Prolonga-se até ao dia 30 de Setembro, mas dependendo das condições climatéricas poderá vir a ser prolongada para meados ou finais de Outubro. Os próximos três meses são considerados os mais críticos para a ocorrência de fogos florestais.
No distrito da Guarda, o dispositivo de combate passa a contar com 42 Equipas de Combate a Incêndios (ECIN) e com mais um helicóptero estacionado em Seia. Até agora, na chamada fase Bravo, que vigora entre 15 de Maio e 30 de Junho, o distrito tinha mobilizadas para os incêndios 24 ECIN, um helicóptero estacionado na Guarda, outro na Meda e dois aviões em Seia. O Dispositivo inclui ainda 151 veículos e os 45 elementos da Força Especial de Bombeiros. No total estarão mobilizados nos próximos três meses um total de 597 operacionais.
António Fonseca já tinha afirmado, na sessão de apresentação do Dispositivo para o distrito que teve lugar em Maio com a presença do secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que o distrito da Guarda tem os recursos humanos mobilizados no limite. «Este dispositivo já está estabilizado há anos, os bombeiros estão a trabalhar no seu máximo e, portanto, não é previsível que haja possibilidade de aumentar mais em termos de recursos humanos», apontou, relevando que a Guarda, em comparação com outros vizinhos, é o distrito que tem mais bombeiros por mil habitantes.
Na última semana, o dispositivo definido para a fase Bravo sofreu algumas alterações no distrito da Guarda. Por indicação da Autoridade Nacional de Protecção Civil, tendo em conta os últimos acontecimentos em termos de fogos florestais e as condições climatéricas, em alguns distritos houve reforço de elementos. Durante cinco dias, período que terminou domingo, o distrito contou com mais 4 ECIN e mais elementos de comando. Foi uma medida excepcional para «dar resposta» ao período que se estava a viver, como explicou ao TB o comandante distrital, António Fonseca.
As ECIN são equipas compostas por cinco elementos constituídas nas corporações de bombeiros.
Autoridades esperam
um Verão difícil
O comandante distrital, António Fonseca, admite que este Verão não «vai ser fácil». Tendo em conta as alterações climatéricas identificadas nas últimas décadas, «esperamos ter verões cada vez mais quentes», aponta. E os números justificam os receios.
Em Abril, durante a apresentação do Plano de Prevenção e Segurança para o ano de 2017 do município da Guarda, já António Fonseca alertava para a quantidade significativa de ingnições registada no distrito. Para o comandante distrital, o problema continua a ser o comportamento das pessoas, destacando que as práticas agrícolas envolvendo o uso do fogos ainda estão muito enraizadas. «Os incêndios não são um problema operacional. O problema está do lado da prevenção e das pessoas», sustentou na altura.
Um mês depois, na Guarda, também o secretário de Estado da Administração Interna anteviu dificuldades. As estatísticas nos primeiros meses do ano, afirmou, deixam antever que será um «Verão dificíl».
O governante acrescentava também o facto de não chover. «Temos os ingredientes para que tudo corra mal», sustentou depois de divulgar os dados disponíveis sobre as ocorrências no distrito da Guarda até ao início de Maio. Já estavam registadas 129 ingnições e já tinham ardido mais de 800 hectares. No ano passado no mesmo período verificaram-se 16 ingnições e arderam 105 hectares de floresta. «Estamos a partir para o Verão com um grande avanço», considerou Jorge Gomes. Mas o secretário de Estado reiterou confiança no dispositivo de combate. «Os operacionais estão determinados a contrariar estes números e a dar garantias à população de que nós continuamos a trabalhar para o bem-estar dos nossos cidadãos e sobretudo para que vivam bem e que vivam sem este flagelo dos incêndios». «Partimos com confiança. Temos confiança no sistema», reforçou.
O secretário de Estado acrescentou ainda que a sua presença na apresentação do dispositivo para o distrito da Guarda «não é mais do que uma manifestação de solidariedade» e de demonstração que «podem contar com o Governo». O governante deixou ainda um apelo aos comandantes para que «animem as pessoas a aderir ao combate aos incêndios, mas sejam responsáveis e garantam a sua protecção». Jorge Gomes disse que o governo queria «mortes zero» a começar pelos operacionais.

Comentar

. logged in para comentar.

Artigos relacionados

SiteLock

Voltar para o topo

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close