Este rio que leva água…

Miguel Torga, um dos nossos mestres, escrevendo sobre a Beira, evocava um quadra de outro mestre, Augusto Gil, para dizer que, ao visitá-la, rodava sempre sobre a força polarizadora da Estrela.

No texto, o mestre referia que “(…) todas as verdades locais emanavam dela”, continuando depois na sua escrita a dizer: “Há rios na Beira? Descem da Estrela.”

Lembrei-me da frase ao ler sobre o projeto “Este Zêzere que nos une” que, numa liderança da Câmara da Covilhã, pretende valorizar o Zêzere como património natural e identitário.

O projeto, que pretende promover a preservação e potenciar território e municípios participantes como destinos turísticos sustentáveis, tem aprovação no montante de 300 mil euros pela CCDRC e será desenvolvido em conjunto com os municípios de Belmonte, Manteigas e Fundão.

Assim, de repente, lembro-me de amigos que há pouco realizaram a Grande Rota Zêzere e a encontraram (digamos) meia abandonada por quem a devia preservar e manter!

Curiosamente (ou talvez não) não encontro, nas três vertentes da candidatura, nada que aponte para a possibilidade de, através dela, melhorar e preservar a grande Rota, mas sim apostar numa componente virada para as artes.

Não que o Zêzere, que nasce lá no alto, no concelho de Manteigas, não necessite de ser acarinhado e retratado em componente artística capaz de mostrar facetas de um rio que tanto pode correr calmo, como alteroso, ou límpido e poluído, conforme os concelhos por onde passa.

A possibilidade, aberta neste projeto de contratar quem fotografe o rio é no entanto singular!

Tudo porque depois as fotos serão expostas em grande formato ao longo da Grande Rota e abre-se a possibilidade de realizar com os caminhantes e amantes da natureza passeios fotográficos e outras iniciativas artísticas.

O Zêzere, como sabemos, por vezes é destruidor, tal como os restantes elementos da natureza. Será que se guardam uns cobres para se substituirem as fotos e manter em condições a Grande Rota?

Ou teremos de andar depois à cata dela?

P.S.- (Aqui com conotação também política) A retirada da confiança política à Vice-presidente da Câmara de Manteigas, por parte da Concelhia local, a praticamente meio ano das eleições autárquicas, veio animar o palco politico local. Sendo militante do partido nessa secção fico apreensivo pela situação agora vivida, que nunca me recordo ter acontecido.

Será tempo de a Concelhia local pensar bem sobre o que esteve mal (como reconheceu em comunicado) e tentar não repetir. E claro que, para além do partido perder, também o Concelho pode nestes meses que faltam até uma próxima eleição vir a ressentir-se desta perda de confiança política.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close