Estrutura única no Centro de Portugal está localizada perto de Pinhel

É uma estrutura única no Centro do país e está localizada perto de Pinhel. Este Sábado pode ser visitada através da iniciativa Pôr-do-Sol no Fojo do Lobo, promovida pelo Gru-po Lobo, e que consiste numa visita guiada, uma breve palestra sobre o lobo-ibérico e um “petis-co” com produtos locais.
Gabriela Marujo
gabmarujo.terrasdabeira@gmpress.pt

Perto de Pinhel, entre Mangide e Vale de Madeira, existe uma estrutura única no Centro de Portugal: o fojo do lobo, uma antiga armadilha em pedra, circular, que foi usada para dar caça ao lobo quando este ainda era uma espécie perseguida legal-mente. É do tipo “fojo de cabrita”, uma rara tipologia, mesmo noutros locais do país. Mantém a sua estrutura original e, até à data, é o único fojo do lobo que se conhece na zona Centro.
Os interessados podem visitar o local este Sábado através da iniciativa Pôr-do-Sol no Fojo do Lobo, promovida pelo Grupo Lobo. O encontro está marcado para as 17h30, «perto de Pinhel», de onde os caminhantes partem, «sempre por velhos caminhos rurais», até ao Curral do Lobos, ou Fojo do Lobo. O percurso tem quilómetro e meio. Seguem-se uma breve palestra sobre o lobo-ibérico e um “petisco ao pôr-do-sol”, composto por «queijo e compotas locais, acompanhados por pão rústico» e «magníficas vistas para o rio Côa».
«Os fojos do lobo são antigas armadilhas que eram usadas no passado enquanto era permitida a sua caça, sobretudo no Noroeste Ibérico, porque também há bastantes na Galiza e no Norte de Portugal, pelas populações locais como uma forma de capturar os lobos e assim reduzir o número de animais que causavam prejuízos nos rebanhos», explica Clara Espírito Santo, investigadora do Grupo Lobo, sublinhando haver «várias tipologias de fojos».
Para além do fojo da cabrita, «um dos mais raros», havia o simples e o de paredes convergentes. Os simples, «como era só um buraco no chão desapareceram. Não temos grandes indícios ou grandes vestígios da sua ocorrência, mas sabemos que existiam pelos relatos orais das pessoas mais antigas e memórias paroquiais».
Os de paredes con-vergentes, «no Gerês há bastantes, na zona Centro não se conhece nenhum», afirma Clara Espírito Santo.
Os fojos de cabrita eram «estruturas com um aspecto mais circular, arredondado, em que era colocada uma cabrita ou uma ovelha no interior, a berrar, para atrair o lobo. O lobo era atraído para o interior destas armadilhas, conseguia saltar as paredes dos fojos, que eram cons-truidas nesse sentido, mas não conseguia sair. Ou seja, o lobo não se apercebia que estava a entrar numa estrutura circular e era assim captu-rado».

Estado de conservação é «mediano»
«Até ter começado» o projecto LIFE MedWolf – Boas práticas para a conservação do lobo em regiões mediter-rânicas, co-financiado pela União Europeia no âmbito do Programa LIFE, que o Grupo Lobo está a desenvolver desde final de 2012, «também não se conhecia nenhum fojo a Sul do Rio Douro».
«Foi uma surpresa os nossos colegas descobrirem este fojo olhando para a toponímia das cartas militares. Viram Curral de Lobos escrito e foram perguntando às populações locais onde era e encontraram-no. Foi uma surpresa para nós», lembra Clara Espírito Santo.
O seu actual estado de conservação é «mediano». «Consegue-se perceber perfeitamente como é que ele era. As paredes estão quase na totalidade ainda com-postas, no cimo dessas paredes faltam as cápias, que eram umas pedras grandes que faziam uma posição oblíqua que impedia que os lobos saltassem de dentro para fora, essas cápias já lá não estão, caem com o tempo, e há parte do fojo em que a parede está um pouco degradada», descreve a investigadora.
Uma das curiosidade desta estrutura é o aproveitamento de um rochedo existente no local. «Num dos lados do fojo aproveitaram o que já existia, não tiveram que fazer essa parede. É muito engraçado, fizeram ali um fojo dessa tipologia, fojo de cabrita, numa zona que é quase como uma portela, é uma zona de passagem de um vale para o outro», explica.
«Zonas muito utilizadas pelos rebanhos também são utilizadas pelos lobos, eles seguem esses rastos em busca de algum animal que fique perdido, e portanto cons-truiram-no ali estrategi-camente, não é à toa, para capturar lobos», destaca Clara Espírito Santo, finalizando não haver «memória já de pessoas que se lembrem de ter sido utilizado a última vez».

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