Magusto da Velha amanhã, dia 26, em Aldeia Viçosa

É uma tradição que se repete em Aldeia Viçosa, concelho da Guarda, há 320 anos. O “Magusto da Velha”, que se comemora todos os anos no dia a seguir ao Natal, é uma espécie de homenagem a uma “senhora” que terá deixado à freguesia castanhas para serem distribuídas pelos pobres e que a Junta de Freguesia local recebeu como legado. Este ano será recordado o único soldado nascido em Porco (Aldeia Viçosa) e morto na 1ª Guerra Mundial no dia 16 de Junho de 1917.
A tradição deverá novamente cumprir-se amanhã à tarde em Aldeia Viçosa, no concelho da Guarda. Do campanário da igreja local deverão novamente chover os 150 quilos de castanhas, que os habitantes e visitantes apanharão avidamente.
De acordo com o programa delineado pela Junta de Freguesia, pelas 14h30 está prevista a realização de uma missa pela “velha”pelo soldado António Martins. Meia hora depois haverá um cortejo medieval encenado pelo grupo Hereditas, que engloba o transporte das castanhas, dos rebuçados e do vinho para o Largo da Igreja. Tocarão depois os sinos a rebate e será feita a leitura do testamento. Os cerca de 150 quilos de castanhas serão depois elevados com uma corda, para, pouco tempo depois lançadas para o largo da Igreja, juntamente com os rebuçados. Logo que caem na calçada, pequenos e graúdos baixam-se e procuram-nas, permitindo com que outros lhes saltem para as costas. São as popularmente chamadas “cavaladas”, que provocam gargalhadas aos participantes. Depois, faz-se a distribuição do vinho e torradas em azeite, que deixa os habitantes mais alegres.
Continua no segredo dos arquivos da memória o nome da mulher que originou a mais persistente tradição de Aldeia Viçosa, que se comemora naquela aldeia do concelho da Guarda, no dia a seguir ao Natal, há 320 anos. Além de uma renda perpétua, deixou à freguesia uma insólita comemoração popular que perdura no tempo.
Reza a história que uma velha muito velha, e muito rica, e amiga da folia, deixou um grande legado à Igreja da Vila do Porco, actual Aldeia Viçosa. Mas, para pôr a sua alma em bom recato, não deixou de exigir que, no final da festa que fariam com a sua dádiva, todos rezassem pela sua alma, um Padre Nosso todos os anos, volvido o Natal. Como se não se fiasse a velha que se cumprisse a dívida, até foram lavradas escrituras com a sua exigência. A tradição remonta, pelo menos, ao século XVII, ao ano de 1698, e, apesar de ninguém sequer saber o nome da velha a quem encomendam a alma, ainda hoje se cumpre.
A Junta de Freguesia, que é quem actualmente recebe o legado da velha, deposita nos seus cofres a inusitada quantia de doze cêntimos, cada três meses. Coisa pouca, completamente irrelevante em termos financeiros, mas extraordinariamente importante se tivermos em conta a enormidade da tradição. Além disso, ainda que hoje pouco ou nada valha o legado da velha, tempos houve em que os doze cêntimos eram uma pequena fortuna.

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