Mais de 95% das casas de habitação permanente destruídas em Outubro de 2017 estão reconstruídas

Dois anos depois dos fogos de 15 e 16 de Outubro na região Centro que provocaram a morte a cinquenta pessoas e ferimentos em cerca de 70, mais de 95 por cento das habitações destruídas estão recuperadas e entregues às famílias. A informação foi prestada por Ana Abrunhosa, enquanto presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC). «Foi um trabalho de loucos, que virou obsessão e nos tomava os pensamentos de todos os minutos do dia», sublinhou.
«Dois anos depois, no programa de reconstrução das habitações [permanentes] temos incluídas 822 casas e dessas estão concluídas 792, cerca de 96,5%», disse a presidente da CCDRC. Segundo a responsável, 30 casas estão ainda em reconstrução, uma da responsabilidade da CCDRC e 29 da responsabilidade das famílias, que foram incluídas no programa de apoio apenas em 2019. Algumas destas três dezenas de habitações deverão ficar concluídas em 2020. «Isto significa que conseguimos para várias famílias resolver os problemas iniciais, porque muitas destas casas tínhamos dito inicialmente que não reuniam condições, só mais tarde é que reuniram», vincou Ana Abrunhosa.
O programa de apoio envolveu 58 milhões de euros para a reconstrução das 822 habitações, que tiveram um limite de 650 euros por metro quadrado, incluindo as demolições, os projectos de arquitectura, construção, fiscalização e apetrechamento. Na parte empresarial, que somou 268 milhões de prejuízos, foi criado o programa Repor para reposição da capacidade produtiva, que, até ao momento, apoiou 372 empresas, que vão realizar um investimento de 131 milhões de euros [com 100 milhões financiados pelo Estado] e reter/criar 4.221 postos de trabalho, adiantou Ana Abrunhosa. «Há uma ou outra empresa que não está a funcionar em pleno, mas a maioria já estão a funcionar. A maioria das empresas, mesmo aquelas que ficaram totalmente destruídas, não deixaram de laborar, fosse com o apoio de concorrentes ou com a compra de máquinas usadas», sublinhou.
Cinquenta pessoas morreram e 70 ficaram feridas na sequência dos incêndios de Outubro de 2017 na região Centro. Metade das mortes ocorreu no distrito de Coimbra (13 das quais no concelho de Oliveira do Hospital e 12 nos municípios de Arganil, Pampilhosa da Serra, Penacova e Tábua) e 17 em Viseu (Carregal do Sal, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Santa Comba Dão e Tondela). Os restantes óbitos foram registados na auto-estrada que liga Aveiro a Vilar Formoso (A25), nas zonas de Sever do Vouga (Aveiro) e de Pinhel (Guarda), e no concelho de Seia (Guarda).
O Governo fixou, no final de 2017, em 70 mil euros o valor mínimo para a «privação de vida», ao qual se somam os critérios «sofrimento da vítima antes da morte» e «danos próprios dos familiares mais próximos», para as vítimas dos incêndios de Junho em Pedrógão Grande e de 15 e 16 de Outubro na região Centro.
Dos 36 municípios da região Centro atingidos pelas chamas, foram afectados de forma mais grave os de Castelo de Paiva e Vagos, no distrito de Aveiro; Oleiros e Sertã (Castelo Branco); Arganil, Figueira da Foz, Lousã, Mira, Oliveira do Hospital, Pampilhosa da Serra, Penacova, Tábua e Vila Nova de Poiares (Coimbra); Gouveia e Seia (Guarda); Alcobaça, Marinha Grande e Pombal (Leiria); e Carregal do Sal, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Santa Comba Dão, Tondela e Vouzela (Viseu).
Para além da destruição de 1.500 habitações, o fogo também penalizou 516 empresas de 28 concelhos dos distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu, com prejuízos directos (designadamente edificado, máquinas e stocks) da ordem dos 270 milhões de euros, de acordo com os dados comunicados à CCDRC, representando perto de 4.500 postos de trabalho.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close