Pediatras da ULS da Guarda pedem para aos pais para estarem atentos aos sinais do impacto da pandemia nas crianças e adolescentes

A pandemia teve «um forte impacto na saúde mental» das crianças e dos adolescentes. A constatação é do médico interno de Pedopsiquiatria do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra, João Picoito, que na semana passada participou num “webinar” sobre aquele tema, promovido pelo Núcleo Hospitalar de Crianças e Jovens em Risco da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda. O especialista, que evidenciou a importância de se debater este tema, apontou que se tem estado a assistir ao aumento de sintomas associados à ansiedade, depressão, dificuldades de concentração, irritabilidade e problemas de sono. «Na maioria dos casos esta sintomatologia é passageira, mas devemos estar atentos», sublinhou.

Os pediatrias da ULS da Guarda, que acompanham esta preocupação, pedem aos pais para que estejam atentos aos sinais. «Estamos a fazer o apelo para que os pais estejam atentos», disse António Mendes, director do Serviço de Pediatria do Hospital da Guarda e coordenador do Núcleo de Apoio à Criança. E o pediatra Pedro Fernandes reforçou a importância «dos cuidadores identificarem os sinais de alarme de forma precoce para que possam recorrer aos serviços de saúde». A médica interna de Pediatria na ULS, Joana Ribeiro, apontou que se tem registado uma diminuição do recurso à Urgência e que alguns diagnósticos são «mais tardios».

No caso dos adolescentes, João Picoito explicou que deve suscitar preocupação o facto de haver falta de apetite, não ter vontade de fazer o que antes gostava de fazer, sonos trocados e insónia. O pedopsiquiatra evidenciou a necessidade dos pais «compreenderem as necessidades dos filhos». «O adolescente já não quer saber dos pais, quer estar com os seus pares e viver experiências e o facto de estar isolado causa sofrimento». Os adolescentes precisam de «tempo e espaços próprios», querem «o controlo sobre a sua vida» e «ter as suas próprias actividades». A melhor atitude dos pais, defende João Picoito, é adoptar «uma comunicação tranquila e assertiva». «É importante que os pais validem as emoções dos filhos, promovendo a sua autonomia mas também mantendo a supervisão».

Em relação aos mais novos, a médica Joana Ribeiro frisou a necessidade de manter rotinas, de contrariar o sedentarismo, de controlar o tempo de exposição aos ecrãs e de adoptar uma alimentação saudável. A médica apontou ainda que a permanência em casa devido à pandemia pode tornar-se «um momento vulnerável para o desenvolvimento na aquisição da fala e da linguagem» porque há um menor estímulo, o uso das máscara prejudica a leitura labial e há um maior tempo de exposição aos ecrãs. Notícia completa na edição desta semana do Jornal Terras da Beira.

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