PJ identifica suspeitos de vandalismo de gravura do Parque Arqueológico do Vale do Côa

A Polícia Judiciária (PJ) anunciou hoje que identificou dois homens que são considerados os autores do acto de vandalismo de que foi alvo uma gravura do Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC). Segundo uma nota do Departamento de Investigação Criminal da Guarda da PJ, os suspeitos “são responsáveis pela produção de dois desenhos e uma inscrição legendária sobre o Painel Central de Arte Rupestre da Ribeira de Piscos, pertencente ao Parque Arqueológico do Vale do Côa, vulgarmente conhecido pela representação do ‘Homem de Piscos’, o qual está classificado como monumento nacional e como património mundial pela UNESCO”.
Os factos ocorreram no dia 25 de Abril e foram denunciados no dia 28 pela Fundação Côa Parque, que gere o PAVC e o Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.
“Fomos surpreendidos com a descoberta de novíssimas gravações de uma bicicleta, um humano esquemático e a palavra ‘BIK’ directamente sobre o conhecidíssimo conjunto de sobreposições incisas do sector esquerdo daquele painel, onde, como é universalmente sabido, está o famoso ‘Homem de Piscos’, a mais notável das representações antropomórficas paleolíticas identificadas no Vale do Côa”, disse na altura à Lusa o director do PAVC, António Baptista.
Hoje, a PJ da Guarda esclarece em comunicado que “tais desenhos e inscrição foram produzidos durante um passeio local de vários ciclistas, com recurso a uma pequena pedra de xisto, que funcionou como instrumento de incisão sobre o bloco rochoso que acolhe várias gravuras do período Paleolítico Superior, entre as quais, a única figuração antropomórfica paleolítica até hoje claramente identificada em Portugal.”
Os dois suspeitos, com 25 e 30 anos, foram constituídos arguidos e interrogados nessa qualidade, tendo confessado “a autoria dos referidos desenhos e inscrição legendária, os quais, segundo parecer técnico especializado, terão danificado, de forma irremediável, aquele mencionado património mundial de arte rupestre localizado em Portugal”, indica a nota.
Fonte da PJ adiantou à Lusa que os homens, residentes em Torre de Moncorvo, no distrito de Bragança, são suspeitos da prática de um crime de dano qualificado, que pode ser punível com uma pena de prisão até oito anos.
Sobre este assunto vai ser ouvido o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, durante a próxima audição regimental na comissão de Cultura, em Junho.

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