Vandalizada gravura rupestre no Vale do Côa

O ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, afirmou ontem que a vandalização de uma gravura rupestre no Parque Arqueológico do Vale do Côa é uma “situação preocupante”, tendo já sido apresentada uma queixa-crime no Ministério Público (MP).“Já denunciámos a situação ao MP, esperamos agora que as autoridades de segurança se tenham mobilizado. Eu ainda não consegui falar com o presidente da Câmara de Foz Côa, mas tenciono fazê-lo o quanto antes”, disse aos jornalistas, à margem da inauguração da exposição “Corpo, Abstracção e Linguagem na Arte Portuguesa – Obras em depósito da Secretaria de Estado da Cultura na Colecção de Serralves”, no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, em Chaves.
A Fundação Côa Parque denunciou ontem um “inqualificável” atentado contra uma das rochas do parque arqueológico na qual está representada uma figura humana com mais de 10 mil anos. “Fomos surpreendidos com a descoberta de novíssimas gravações de uma bicicleta, um humano esquemático e a palavra ‘BIK’ directamente sobre o conhecidíssimo conjunto de sobreposições incisas do sector esquerdo daquele painel, onde, como é universalmente sabido, está o famoso ‘Homem de Piscos’, a mais notável das representações antropomórficas paleolíticas identificadas no Vale do Côa”, disse à Lusa o director do parque arqueológico, António Baptista.
Questionado sobre a falta de segurança do parque, o ministro referiu que “toda a gente” se queixa de falta de vigilância, admitindo que se dissesse que está tudo bem estaria a ser “incorrecto”. “Vivemos anos de cortes brutais em todas as estruturas da Cultura, seria impossível que num ano estivesse tudo remediado”, considerou.
“Isto mostra a vantagem de termos uma nova estrutura que está praticamente pronta, a fundação está constituída, os estatutos estão aprovados, estão nomeados os representantes dos vários ministérios e, agora, vamos entrar a trabalhar muito seriamente a partir do fim deste mês”, salientou. Com esta alteração, Luís Filipe Castro Mendes sustentou que estarão a trabalhar no terreno de “outra maneira” e com a cooperação dos trabalhadores de Foz Côa que, na sua opinião, têm tido uma “resistência notável”.

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