2023

2023 será, de acordo com analistas, um ano decisivo. Mas não terão sido todos os anos pregressos também lançados a priori como decisivos? E não serão os vindouros vaticinados de igual forma?

À parte destes preciosismos linguísticos utilizados como ferramenta de enchimento dos blocos de comentariado, a verdade é que este ano novo traz consigo alguma incerteza e ainda mais expectativas.

O desfecho, ou o mais provável impasse, da guerra espoletada pela invasão da Ucrânia pela Federação Russa continuará a marcar muito do passo da política internacional, com ondas de reverberação no nosso quotidiano.

Em Portugal, 2023 começa com um governo suportado por uma maioria absoluta, mas num elevado nível de entropia interna e desconfiança externa pelas sucessivas trapalhadas e muitas saídas governamentais num curtíssimo espaço de tempo. É neste clima político que, em 2023, teremos um ano intenso ao nível de fundos comunitários, o grande combustível para investimentos e obras inovadores e com dimensão no nosso país, nomeadamente a nível municipal. Sumariamente, em 2023 terá de se concluir o programa de fundos comunitários Portugal 2020, progredir significativamente no PRR e lançar o Portugal 2030.

Na Guarda, 2023 será também um ano importante para o presente e futuro do concelho e da sua população.

Aguarda-se com expectativa, renovada em dezembro de 2022 com a aprovação de uma Moção na Assembleia Municipal, pelo início, no terreno, do funcionamento do terminal ferroviário de mercadorias da Guarda enquanto Porto Seco. É consensual que este Porto Seco e as operações a ele associados podem ser decisivas para o desenvolvimento e pujança económica da Guarda, mas para isso tem de se tornar numa realidade que dê frutos.

Associadamente, aguarda-se também pela conclusão da requalificação da Linha da Beira Alta, condição indispensável para o transporte ferroviário de mercadorias vindas do Porto de Leixões.

Para além disso, aguarda-se também a confirmação de um futuro que seja risonho para o nosso Hotel Turismo. Será desta?

Mas, enquanto se aguarda, há que fazer. E, nesse aspeto, há a salientar um apoio muito forte à população mais vulnerável num momento em que a conjetura económica se agudiza, a revolução em termos de habitação social nos bairros do Fomento e da Fraternidade e ainda noutras localizações através de um acordo com o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, o Plano de Atração de Pessoas e Empresas, diversos investimentos em mobilidade e urbanismo e ainda quase 1,5 milhões de euros para a Cultura, sendo cerca de um terço deste valor destinado ao TMG.

Este último tópico, que tem estado na ordem do dia nos últimos tempos, pela não assinatura do acordo entre o TMG e a DGArtes – uma decisão extraordinariamente difícil, mas ponderada – face ao investimento muito avultado que era exigido ao Município para uma programação definida a 85% por esta entidade, coloca 2023 como um ano – aqui sim – decisivo para a Cultura no nosso Município, em que se espera que mantenha, como até agora, uma programação cultural eclética, com espetáculos e iniciativas de qualidade e para todos os públicos. Estou convicto que o fará.

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