A 13 de Maio

Muitos estão agora consternados por não lhes permitirem rezar em Fátima a 12 e 13 de Maio. Contudo, essa não é a única desgraça que aconteceu a 13 de Maio. Fez nesse dia 85 anos que foi publicado Decreto-lei n.º 25.317 de 13 de Maio de 1935, que mandava “aposentar, reformar ou demitir os funcionários ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política ou não deem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado.” E a este castigo não escapavam os que já estivessem aposentados tal como verifiquei no Arquivo Municipal da Guarda.

Começava assim a ser implantado o regime fascista, que era a continuação da Ditadura Financeira de António de Oliveira Salazar, cujo alvo era o domínio das consciências, mas logo outros se aproveitaram da ocasião para liquidar alguns inimigos pessoais. Aconteceu com Aurélio Quintanilha que só queria produzir ciência e que o fazia com muita competente produtividade, havendo por isso quem o quisesse impedir de produzir, quando também em 1935, se realizou o V Congresso Internacional de Botânica, no qual participou com a comunicação «Cytologie et génétique de la sexualité Chez les Champignons» com grande sucesso, tendo-lhe na ocasião a Academia das Ciências da Dinamarca atribuído o prémio Emil Christian Hansen. Sendo de facto vítima da inveja de alguns dos seus colegas, até Salazar se apiedou dele, arranjando forma de o enviar para Moçambique para trabalhar como diretor do Centro de Investigação Científica Algodoeira com enorme sucesso até ao 25 de Abril de 1974.

Esteve posteriormente em Coimbra, onde alguns professores da Universidade lhe prestaram singela homenagem, estando eu presente como jovem assistente da nascente e da então promissora Faculdade de Economia.

Tudo parecia voltar ao normal num país que queria ser desenvolvido e ter acesso a todos os benefícios da Ciência e da Cultura. Mas, não foi isso que aconteceu, pois foram sendo colocados sucessivos obstáculos ao seu desenvolvimento, impedindo um normal retorno a esta situação vivida na I República. De facto, soubemos no princípio desta pandemia que muitos e bons investigadores viviam situações de precariedade, que na verdade impedem o nosso normal desenvolvimento científico. Também a Cultura vive uma precariedade que a prejudica desde sempre, e ainda mais agora, por a Pandemia a ter impedido de mostrar a um Público, agora confinado ou mal desconfinado, o que pode fazer para lhe alargar horizontes.

Agora aquilo que nos libertou dos limites estreitos da Finança foi o sentimento de humanidade que galvanizou todos os que tiveram de lidar com o COVID 19. Mas o Estado só lhes agradeceu. Não quis corrigir as injustiças que os fez sofrer desde sempre e agravadas desde que José Sócrates tomou o poder há 15 anos. Foi ele que nos encaminhou para os braços da Troika que prometeu deixar tudo bem encaminhado. E houve uma saída limpa. Disseram.

Contudo, pouco depois, o BES foi intervencionado e foi feito um mau contrato, que agora põem em desalinho o II Governo de António Costa, insinuando Mário Centeno que tudo resultou de Pedro Passos Coelho não ter achado necessário interromper as suas férias no Algarve para ir a Lisboa tratar de assuntos relacionados com a crise no Banco Espírito Santo (https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/passos-coelho-se-for-necessario-irei-a-lisboa-por-causa-do-bes, acesso em 13 de maio de 2020).

E o problema porque mal resolvido segue aos trambolhões com uma banca sem capacidade de intervir na Economia, estando os cidadãos descapitalizados por terem já pagos muitos buracos. E agora não há Santa capaz de resolver este problema.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close