A Casa da Legião …

Por diversas razões, pode-se considerar que conheci bem, a denominada Casa da Legião Portuguesa.

Uma casa apalaçada, como muitas outras que existiram na Guarda que infelizmente tiveram o fim inglório da especulação imobiliária, densificando a área central da cidade, ou como muitas outras que felizmente continuam a subsistir.

Até quando?

Pretende-se dar a este edifício um meritório fim de vir a albergar o espólio artístico de propriedade do Sr. Piné, hoje depositado na sede da Associação de Farmácias, em Lisboa.

Em boa hora, esta intenção de devolver à Guarda tão brilhante, famosa e numerosa coleção de pinturas que o citado farmacêutico juntou ao longo de anos, num meritório entretenimento de amante de arte. Num dos lotes de pinturas que adquiriu, até uma obra do famosíssimo Picasso, estava incluída.

Depois do insucesso, que foram as negociações com a Câmara Municipal de Pinhel, terra de onde era natural e para onde o Sr. Piné pretendia que a prestimosa coleção de obras de arte fosse, espera-se o maior sucesso com esta pretensão de a trazer para a Guarda. A região ficará mais rica.

Seria um digno fim para este edifício que tem uma arquitetura específica e muito própria, com uma varanda fechada com janelas, além de uma entrada principal com uma certa nobreza.

A ser recuperada, além das divisórias, a tipologia das portadas interiores, os guarnecimentos em madeira, etc. tudo elementos que constituem e valorizam a construção e a referenciam à época. Seja-se digno de tal enaltecimento.

Mas, há sempre um mas… apelando à reflexão, será este o único ou o melhor fim a dar a esta edificação e quintal de áreas razoáveis, localizada em frente à entrada principal da majestosa Sé Catedral da Guarda?

Quando a cidade da Guarda ocupava só o alto reduto central todo o espaço era escasso, a Sé não foi exceção. Além da existência de habitações na própria Sé, a área envolvente estava de tal maneira ocupada com construções que impediam a sua vista integral, assim como era impossível contorná-la.

Felizmente, no século passado houve um plano que foi materializado, de demolição e transladação de construções existentes que veio permitir um certo desafogo, rasgando ruas e possibilitar a constituição do largo sul.

Do lado poente, frente à porta principal, a tal da lenda e da anteriormente citada rosácea, continua só uma mera rua, não permitindo uma completa visão de tão fantástica fachada. Só com fotografia é possível admirá-la completamente.

Uma cuidada e metódica reflexão sobre o destino a dar à Casa da Legião impõem-se, não se deixando de considerar a sua completa demolição, construindo um largo que iria permitir um completo desafogo e visibilidade daquele lado da Sé Catedral, que muito beneficiaria a cidade. Noutras urbes e capitais europeias esse movimento vai prosseguindo, vendo-se marcadas no atual pavimento a identificação das construções que existiram.

Conjuntamente com o espaço público adjacente, hoje pouco aproveitado, seria ainda possível a construção do ambicionado parque de estacionamento subterrâneo num local central, tirando proveito dos desníveis existentes.

Uma reflexão que se sugere.

Não há só uma solução, pelo que antes da obra, podem e devem ser equacionadas o maior número possível de soluções, com vista a encontrar a melhor e mais adequada.

Os grandes Homens nunca morrem, porque são maiores que a vida”, Eduardo Lourenço (1923-2020)

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