A corrupção prejudica os lavradores do Barroso

Era eu um jovem adolescente quando na minha aldeia falavam da maravilha da produtividade conseguida pela batata de Montalegre. E esta memória foi-se esbatendo por haver necessidade central de um esquecimento das causas, que levaram ao fim da produção de batata no distrito da Guarda, embora tivessem acontecido momentos dramáticos em Trancoso, logo e quando se tornou evidente a dificuldade de escoar a sua produção. Entretanto, coletivamente, houve a produção de um esquecimento quase completo do que aconteceu.

Eu, só me lembrei, quando um dia passei por Montalegre e perguntei por ela, onde também verifiquei que poucos sabiam da sua pretérita existência. Acontecia o mesmo na Guarda. Mas, alguém me informou que eram produzidas batatas do mesmo tipo em Chaves e em Videmonte. E tudo acabou por enquanto.

Ao regressar há dias a Montalegre, tive contacto com jornais onde jornalistas e colunistas já anteviam o que ia acontecer e escreviam artigos onde se denunciava “A Corrupção do Governo também prejudica os lavradores do Barroso”, ficando claro no texto as razões que, há quarenta e poucos anos, levaram à destruição da Agricultura Nacional e à dependência alimentar do estrangeiro. Felizmente por outro lado em Boticas, Montalegre e em Vila Pouca de Aguiar, os povos não se deixaram convencer pelos lindos olhos dos que os queriam convencer a deixar ir para parte incerta os dinheiros noruegueses que vinham destinados aos centros de saúde destes concelhos.

Entretanto, foi possível inundar as terras de Montalegre para produzir muita eletricidade, embora os montalegrenses nada beneficiem com isso. Agora, aproximam-se dos ouvidos dos seus habitantes os encantadores com uma nova argumentação, que, ao justificar a extração de lítio como um maná que cai do céu, lhes leva para longe o pão que agora produzem. Antevê-se assim mais riqueza medida em termos financeiros e mais pobreza expressa em campos, que já vemos abandonados, enquanto falta alimento nos lares. É o que justifica mais emigração que enche as ruas de Montalegre e de Boticas, mas só em Agosto e um pouco em Julho. De resto, obedecem a quem os manda emigrar.

Os governantes lusos, cheios de prosápia, sabem apenas propor medidas de política que enriquecem uns poucos e deixam todos os outros mais pobres. Parece que nunca ouviram falar de ótimos de Pareto, que são os que acontecem quando ninguém fica pior e alguns ficam melhor. Parece que aqui os economistas vulgares dominam os jornais, incluindo os de economia e levam ao engano os povos do Interior.

Convenceram-nos assim a aceitar os fins dos postos do correio, de alguns centros de saúde, o encerramento de agências bancárias e posteriormente a diminuição do horário de funcionamento, que justificam agora com os perigos originados pelo contacto humano em tempos de pandemia. Há por isso receios e medos quanto à manutenção dos empregos de todos e em particular dos bancários, vítimas dos comportamentos perversos dos seus patrões, que agora lutam para não serem castigados, pagando bem aos advogados ao seu serviço, que por sua vez esperam encontrar benevolência num juiz cor-de-rosa.

Todos nós nos rimos por isso com um sorriso amarelo enquanto procuramos, para almoçar, um restaurante que não tenha fechado ainda. Mas, isso é nalguns lugares algo bem difícil. E só não passei fome porque sou teimoso. E agradeço por isso ao Bom Deus ter-me dotado deste defeito.

Posso assim ganhar a força física necessária para continuar a minha deambulação pela terra pátria, e encontrar as razões explicativas da redução da população do nosso país e, claro, das alterações climáticas que acontecem inevitavelmente em todo o mundo.

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