A Queda do Império Americano

Há quase 4 anos andei pelas ruas de Chicago, uma cidade de Cultura florescente e onde a vida era muito cara, só se tornando suportável nas cantinas do Museu da Ciência e da Indústria que percorri demoradamente, aprendendo muito e refletindo sobre o poder do Conhecimento na conformação das Sociedades. Mas, toda a Utopia Americana se mostrou frágil quando percorri de táxi alguns túneis rodoviários, onde vi muitos sem abrigo a dormir. Também senti a angústia dos afro-americanos, que tentavam sobreviver no meio de tantas dificuldades causadas pelo racismo que estrutura a sociedade americana.

Agora que a Pandemia tomou conta do Mundo, o Hotel caro, onde estive com sacrifício do meu equilíbrio financeiro, oferece-me preços baixos, tentando sobreviver.

Entretanto, sabe-se que o poder americano assenta num sistema financeiro que tem recorrentemente crises, que são logo transformadas num processo que quebra o seu desenvolvimento económico e impede o dos povos conectados financeiramente com ele. Impõe por isso sacrifícios sem justificação aos povos de todo o Mundo e em particular aos pequenos países como Portugal. É o que também justifica o empobrecimento que temos sofrido para conseguirmos resgatar quase todos os nossos bancos.

Contudo, o “The Economist” mostrou num texto sobre o Sistema Financeiro Mundial, que considera um mundo paralelo, que os EUA estão a perder quota neste mercado, onde, imprimindo dólares, conseguem pôr todo o mundo a vender-lhes o que produzem para ficar com este papel moeda. É esta ficção que parece estar a acabar através de uma geopolítica associada à tecnologia que quebra o imperialismo monetário norte-americano, ficando Donald Trump muito nervoso.

De facto, a pandemia obrigando muitos a confinar-se num isolamento social e a manter uma etiqueta respiratória, quebrou necessariamente o ritmo produtivo e como os Estados Unidos da América não têm um serviço nacional de saúde, existe um ritmo vertiginoso de mortes e uma luta entre o Presidente e as autoridades estaduais, que estão naturalmente mais próximas dos cidadãos. Tornando-se assim os EUA um país onde não existem consensos governativos, nem sociais. De facto, Estado do Minnesota apresentou queixa contra o Departamento da Polícia de Minneapolis pelo assassinato de George Floyd, como informa a Antena 1.

Muito lhe corre mal por isso e a sua atitude arrogante do quero, posso e mando, e tenho sempre razão complica tudo. Faz-lhe até perder conselheiros aos mais diversos níveis. Entrou assim numa escalada de violência e não consegue parar para rever os seus métodos de governação e arrepiar caminho. Escandalizou-se e mostrou-se vítima do poder do Twitter que lhe apontou algumas mentiras com que sustenta as suas posições.

Para complicar tudo, o racismo que estrutura uma doentia forma de ser americana, agravada pela sua opção supremacista, que se assemelha demasiado ao mito da superioridade da raça ariana de Adolfo Hitler, veio tornar mais violenta a sociedade e, tendencialmente, contra etnias como a dos afro-americanos da forma que todos conhecemos neste mundo cada vez mais global e também mais solidário. Acontece por temerem a emergência de ditadores locais, tal como vemos no Brasil, onde Jair Bolsonaro o imita como fantoche perigoso.

Assistimos por isso nas televisões a manifestações gigantescas tanto no interior dos EUA como por todo o lado, tornando fragmentário o poder imperial de Trump, que recorre agora ao poder da Bíblia para apaziguar os ânimos exaltados. São os que já o fizeram esconder no seu bunker privativo por os seus guarda-costas temerem a invasão da Casa Branca. Esboroa-se assim o Estado Norte Americano.

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