A Revolução dos Cravos

(São actualmente deputados mas há 47 anos ainda não eram nascidos. O TB quis saber a opinião dos eleitos (um por cada partido com representação na Assembleia Municipal da Guarda) sobre o 25 de Abril de 1974. Fique a saber o que pensam Marco Loureiro (BE), Miguel Nuno (PSD) e Paulisa d’Assunção (PS) sobre a “Revolução dos Cravos”. O CDS e a CDU não têm deputados na Assembleia Municipal da Guarda que tenham nascido depois do 25 de Abril de 1974. Leia aqui o que pensa Miguel Nuno.)

Após cerca de 48 anos de uma política ditatorial, com as suas múltiplas consequências, agravada por uma Guerra Colonial de mais de 13 anos, o prestígio das Forças Armadas Portuguesas estava completamente destroçado.

Os Oficiais Portugueses cansados de sustentar uma guerra que nenhum sucesso teria, dada a inoperância dos políticos e a sua falta de vontade em resolver seriamente o problema, começaram a sentir que lhes competia tomar alguma atitude. Tanto mais que começaram a ter consciência de se tratar de uma guerra ilegítima, uma vez que não era da vontade do Povo Português.

E como poderia ser se quase não havia obras públicas porque mais de metade das despesas era com a guerra?

E como poderia ser se os jovens perdiam 4 anos das suas vidas em Serviço(?) Militar, dois na “Metrópole” em instrução e dois em combate no ultramar onde muitos perdiam a vida ou a comprometiam completamente devido a doenças psiquiatrias provocadas pelas experiências da guerra?

Convencidos de que era necessário encarar o problema de frente e resolvê-lo, e uma vez que tentativas meramente políticas tinham sido fracassadas, um pequeno grupo resolve aproveitar um motivo meramente profissional para reunir esforços e promover a união à volta de um mesmo ideal: Reconquistar o Prestígio das Forças Armadas.

Assim surgiu o Movimento dos Capitães e que rapidamente se alargou a outros Oficiais. Para levar avante o seu objetivo era necessário colocar as Forças Armadas ao serviço da Nação e não ao serviço de uma minoria que se mantinha no poder apoiado nas próprias Forças Armadas.

Para tal seria necessário derrubar o Governo e perguntar à Nação, em total liberdade de pensamento e expressão, qual o tipo de Governo que pretendia. Desta forma o Problema Ultramarino seria também resolvido, pois o mesmo era Político e não Militar.

Assim nasceu o Movimento das Forças Armadas (MFA) e se partiu para o 25 de Abril.

Este Movimento acabou por levar por diante um processo político, ao qual aderiu quase a totalidade de Oficiais, Sargento e Praças e cujo Programa, que criara, foi imediatamente aceite por toda a Nação.

O 25 de Abril revolucionou todos os setores da vida em Portugal desde o político e social ao económico, desde a cultura à educação.

Importante realçar a participação das mulheres na força do trabalho e nas universidades, algo muito marcante na economia (e não só!) e o facto das praticas educativas passarem a ser menos hierarquizadas e mais centradas no aluno, o que teve consequências (a médio e longo prazo) na postura social e cultural e a nível da participação cívica e política dos jovens, inclusivamente das mulheres.

A Revolução de Abril significa a conquista da liberdade e a vitoria da democracia.

A Revolução dos cravos prova que todos os cidadãos têm o seu papel na história: não fosse a ideia simpática da florista em distribuir cravos vermelhos pelos populares, e estes por sua vez os oferecerem aos militares, jamais sairiam cravos das suas espingardas e nunca o 25 de Abril ficaria mundialmente conhecido como a Revolução dos Cravos.

Utilizando uma interessante analogia entre a ditadura e o ditado, entre a democracia e a composição, proponho a todos os jovens que utilizem com responsabilidade a liberdade e não deixem morrer a composição!

Miguel Nuno (Deputado na Assembleia Municipal da Guarda, eleito pelo PSD)

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