A tasquinha da Guarda que se tornou paragem incontornável para figuras públicas

A passagem de António Costa pelo espaço na última campanha política ficou registada no lado direito do caderno de Firmino Bidarra

De Marcelo Rebelo de Sousa a António Costa, de Nuno da Câmara Pereira a Mafalda Arnauth, passando por actores, professores catedráticos e anónimos cidadãos, “A Tasquinha” tem registado nas últimas décadas os testemunhos da sua passagem por aquele espaço de restauração, junto ao edifício da Câmara Municipal da Guarda, num caderno que o proprietário, Firmino Bidarra, guarda com orgulho.

O «bem receber», a «simpatia», a «comida», «a casa em si», aberta desde 1957 e há «33 anos» nas mãos do casal Bidarra, são no entender da esposa, Emília, motivos que levam a que este «hábito» dure há «mais de 20 anos» e que conste da agenda mediática em campanhas eleitorais.

Foi o que aconteceu nas últimas eleições autárquicas, com a visita dos candidatos António Costa (PS) e Rui Rio (PSD) a ser documentada em vários canais televisivos, além de registada no mencionado caderno. À pergunta de Firmino Bidarra se pretendia escrever no lado direito ou no lado esquerdo, numa clara alusão política, António Costa escolheu o direito.

Outros políticos por lá passaram, casos de Marques Mendes ou Paulo Portas, foi, no entanto, a passagem do presidente da República, em 2016, testemunhada num fotografia emoldurada num dos muitos quadros que decoram as paredes da casa de pasto, que despoletou a romaria política. «Vêm mais políticos a partir da visita do professor Marcelo [Rebelo de Sousa]», constata Emília Bidarra, sublinhando ser quem mais visita “A Tasquinha”. É paragem incontornável quando vêm «em campanha ou em visita à cidade, em congressos…».

É igualmente tradição beberem «uma ginjinha» e comerem os «famosos» ovos verdes daquela que é umas das mais antigas tasquinhas da cidade da Guarda e a única em funcionamento. «Devem ser dos melhores que por aí há», garante Emília, notando que «há pouca gente a fazer» esta iguaria.

«É uma casa tradicional, é a única quase na cidade que se dedica assim a estas coisas», destaca.

E que tem dado frutos, como comprovam os vários testemunhos através de um «hábito» que começou há décadas. «Os clientes, por serem bem servidos, gostarem da comida, da nossa simpatia, da casa em si, deixavam várias mensagens nas toalhas. Houve uma altura em que a gente pensou: “temos que guardar isto porque vai-se perdendo”», conta a proprietária, que foi funcionária da casa, assim como Otília Vaz, que se vai juntando à conversa quer para confirmar a história quer para ajudar a memória da patroa.

É assim que surge o caderno. «Estar num livrinho é uma coisa, e estar num papel de toalha é outra, umas vezes a gente guardava, outras vezes não», justifica Emília, afirmando ser «uma relíquia».

«Já lá assinou muita gente, muito gente mesmo. Actores também, das novelas, professores catedráticos que vinham aí pelo Centro de Estudos Ibéricos. Montes de gente, mas começou tudo porque as pessoas deixavam, ainda hoje deixam, mensagens nas toalhas, e papelinhos», completa.

Quanto a histórias caricatas, Emília confessa: «Passa-me muita coisa ao lado, se não fosse ela [Otília Vaz] a lembrar-se já não me lembrava de muita coisa. Não me lembro assim de grandes histórias».

Gabriela Marujo/Terras da Beira

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