ACAPO lamenta falta de resposta da Câmara da Guarda

«Um ano e tal» é o tempo que a direcção da delegação da ACAPO – Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal da Guarda diz estar à espera de «uma reunião com o vereador [responsável pelo pelouro do Urbanismo] dr. Sérgio Costa» para falar sobre as barreiras arquitectónicas, «assim como de todas as obras que foram executadas na cidade». «Desde que chegou este executivo que se verifica esta situação», afirma o presidente, Hugo Pissarra, referindo-se em especial a Sérgio Costa, que «não ouve as pessoas nem deixa conversar com ele».
Uma informação desmentida pelo vereador, que garante não ter conhecimento de qualquer pedido de reunião, destacando que «o representante, ou suposto representante, da ACAPO» é «funcionário da Câmara Municipal». «Qualquer entidade que faça um pedido de reunião é marcado de acordo com a agenda, ora não me recordo de qualquer pedido de reunião. Que o façam de uma forma formal e depois será marcada de acordo com a minha agenda, naturalmente como recebo qualquer instituição, nada mais do que isto», refere. «Eles devem fazer um pedido formal da reunião e depois eu marcarei a reunião já agora quando regressar de férias», assegura Sérgio Costa.
A última vez que Hugo Pissarra diz ter tentado foi «na Quinta-feira antes do São João [dia 23 de Junho]», com o objectivo de «alertar para o facto de os passeios se encontrarem ocupados, o que vem dificultar ainda mais a vida aos deficientes».
«Para os cegos, amblíopes, pessoas com mobilidade reduzida, pessoas que se deslocam em cadeiras de rodas, assim como mães que transportam os seus filhos nos carrinhos, não conseguem passar devido ao facto de os passeios se encontrarem ocupados», justifica a delegação da ACAPO da Guarda em nota de imprensa.
E recorda o que aconteceu no ano passado na Feira de São João. «Foi uma vergonha, roubaram o estacionamento à ACAPO e nem se dignaram a mandar um email aos membros da direcção a avisarem. Ocuparam o estacionamento, fizeram o que quiseram, e as pessoas que quiseram ir à associação não podiam passar», lamenta.
Mas as barreiras não são sazonais. «Os nossos associados, que são cegos e amblíopes, queixam-se constantemente dos obstáculos com que se deparam diariamente», afirma o presidente da delegação da ACAPO da Guarda, actualmente com «cerca de 100 sócios», entre cooperantes e efectivos. «Até os sócios cooperantes, que são aqueles que vêem bem, vem ter connosco a reclamar de situações que lhes dificultam a mobilidade», diz a propósito.

Sérgio Costa garante estar disponível
«A Câmara Municipal da Guarda fez um estudo para combater as barreiras arquitectónicas, mas até agora o actual executivo nada fez para alterar esta realidade e facilitar a vida aos deficientes», afirma Hugo Pissarra. «Foram executadas obras na rodoviária, praça municipal, foram feitas passadeiras, mas no entender da direcção da ACAPO da Guarda não foram feitas a pensar nos deficientes visuais e com baixa visão, e até nós cidadãos ditos normais, o que poderá levar à morte», alerta.
Hugo Pissarra ressalva no entanto que «não estamos a pedir para a Câmara da Guarda compor o que estava mal, não há dinheiro não se pode fazer milagres, o que estamos a pedir neste momento é que em tudo o que fizerem novo que não criem barreiras arquitectónicas perigosas para as pessoas». «Às vezes fazem obras, são coisas simples, e não custava nada ligar ao presidente da ACAPO, ou de outra associação, e ver uma maneira – não se pode agradar a todos – que seja acessível para todos. E a Câmara neste momento não faz nada disso», reitera.
Na questão das barreiras arquitectónicas, Sérgio Costa considera que «muita coisa há a falar sobre essa matéria, mas nos últimos 40 anos», mostrando-se disponível para discutir o assunto «oportunamente». «Estou em período de férias, não posso receber ninguém», justifica, concluindo que «assim que façam o pedido formal da reunião esta será marcada».
Se os responsáveis da delegação continuarem a não ser recebidos na Câmara da Guarda, «vamos tentar chegar à secretária de Estado [da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, presidente da direcção nacional da ACAPO entre 2013 e 2015]». «Não se pode admitir falhas tão graves», conclui Hugo Pissarra.
GM

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