Adesão à greve de enfermeiros na Guarda em defesa das 35 horas semanais foi de 48%

A greve de enfermeiros realizada durante três dias, e que terminou hoje na Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG), teve uma adesão de 48 por cento, disse fonte sindical. Em declarações à agência Lusa, Honorato Robalo, dirigente do Sindicato de Enfermeiros Portugueses, disse que a adesão à greve foi de 45%, na quarta-feira, 46,3%, na quinta-feira, e 51,7%, hoje, num universo de 286 enfermeiros escalados para o serviço, entre as 08:00 e as 12:00 de cada dia. No total dos três dias, a paralisação cifrou-se em 48% (138 dos 286 enfermeiros escalados para o serviço).
Na ULSG, que integra os hospitais Sousa Martins (Guarda), o hospital Nossa Senhora da Assunção (Seia) e 13 centros de saúde do distrito, prestam serviço 602 enfermeiros. «Houve serviços que tiveram adesão a 100%», adiantou o dirigente sindical, destacando, entre outros dados, que a paralisação levou à desmarcação de 24 cirurgias, na Unidade de Cirurgia Ambulatória, onde «todos» os enfermeiros fizeram greve.
Honorato Robalo admitiu que alguns dos profissionais questionaram o porquê da paralisação em defesa das 35 horas semanais, depois de o Governo ter revertido a regra das 40 horas para as 35 horas, mas contrapôs que a «esmagadora maioria» dos enfermeiros que ali prestam serviço «fazem mais de 35 horas», seja por terem contrato individual de trabalho (197, quase um terço do total), seja pela «escassez» de recursos humanos, outra das reivindicações da paralisação. «Há enfermeiros que têm uma carga horária acrescida acumulada de 50 a mais 100 horas semanais, sem qualquer compensação financeira extra, devido à grave carência de enfermeiros na instituição», argumenta, adiantando que há quem faça «turnos contínuos» e trabalhe 16 horas diárias, para suprir necessidades de serviços. A estes acrescem outros 138 enfermeiros, “precários”, com contrato de substituição ou contratados através de uma empresa de trabalho temporário, a quem não se aplica, igualmente, a regra das 35 horas.
O dirigente do SEP criticou ainda o que disse ser a «falaciosa argumentação» do Governo, «que diz que aposta nos cuidados de saúde primários, mas não implementa o enfermeiro de família», medida «essencial», nomeadamente para os idosos que residem longe dos centros de saúde. «Em Seia, o anterior governo socialista [de José Sócrates] encerrou 12 extensões de saúde e quem deles [cuidados de saúde] precisa tem de ir à sede de concelho. Não basta apregoar planos estratégicos de recursos humanos, é preciso apostar nos cuidados de enfermagem de proximidade», defendeu Honorato Robalo.

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