Advogado natural de Trancoso é uma das vítimas do surto de Legionella

As autópsias das duas vítimas mortais do surto de Legionella foram concluídas esta Quarta-feira às 13h pelo Instituto Nacional de Medicina Legal, informou o Ministério da Justiça. Os corpos já podem ser levantados pelas famílias. O advogado Simão Santiago, natural de Trancoso, é uma das vítimas mortais do surto de Legionella que contraiu no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa. O velório será na Igreja dos Jerónimos, em Lisboa, seguindo amanhã para Trancoso, onde deverá chegar cerca das 10h30. As cerimónias fúnebres começam ao meio-dia.
Simão Santiago, de 77 anos, faleceu Segunda-feira num hospital privado, onde foi internado depois de se sentir mal. Dias antes, o advogado tinha recorrido aos serviços do Hospital S. Francisco Xavier, para fazer exames. O jornal “Público” noticiciou que o advogado, natural de Trancoso, foi chefe de gabinete do secretário de Estado da Indústria João Martins Pereira, que estava sob tutela do ministro da Indústria e Tecnologia, João Cravinho, no IV Governo Provisório, liderado por Vasco Gonçalves. Aquele diário nacional adianta que Simão Santiago não voltou a ter ligação à política activa, mas integrou no pós-25 de Abril círculos de esquerda próximos do PS. Era amigo, entre outros, de figuras públicas e políticas como Jorge Sampaio e Nuno Brederode dos Santos. Antes do 25 de Abril integrou os movimentos associativos, tendo sido expulso da Universidade de Coimbra em 1962, após a crise académica. Nas últimas décadas, foi colega de escritório de advocacia de Francisco Teixeira da Mota, depois de ter trabalhado com o advogado Jorge Fagundes.
O número de casos confirmados de doença dos legionários subiu para 38, com dois óbitos e cinco doentes internados nos cuidados intensivos, anunciou hoje a Direcção-geral da Saúde (DGS).
O novo boletim epidemiológico da DGS indica que a maioria dos casos ocorreu em mulheres (63%) e que os doentes infectados têm a maior parte (68%) idades iguais ou superiores a 70 anos.
Segundo este boletim, relativamente aos dados divulgados na terça-feira, há um novo caso confirmado, que surgiu no dia de hoje.
De acordo com a DGS, o primeiro caso de diagnóstico da doença dos legionários foi confirmado a 31 de Outubro. Na passada sexta-feira foram confirmados oito casos, 14 no dia seguinte e quatro no domingo. Na segunda-feira foram confirmados sete casos, na terça-feira três casos e hoje um outro.
Na terça-feira, o ministro da Saúde disse que a origem do foco de ‘legionella’ em Lisboa foi o hospital São Francisco Xavier, considerando que as primeiras evidências apontavam logo para uma emissão dentro do perímetro da unidade hospitalar.
Estas declarações do titular da pasta da Saúde surgiram depois de o presidente dos Serviços de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) ter dito à agência Lusa que as autoridades tinham identificado nas redondezas do São Francisco Xavier pelo menos sete equipamentos potencialmente produtores de aerossóis e por onde poderia também ter começado o surto.
Segundo o responsável, a maior probabilidade é que o surto tivesse tido origem nas instalações do hospital, mas, por precaução, a Administração Regional de Saúde (ARS) e o delegado de saúde fizeram o levantamento dos equipamentos potencialmente geradoras de aerossóis para fazer análises.
A ‘legionella’ é uma bactéria responsável pela doença dos legionários, uma forma de pneumonia grave que se inicia habitualmente com tosse seca, febre, arrepios, dor de cabeça, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo também surgir dor abdominal e diarreia. A incubação da doença tem um período de cinco a seis dias depois da infecção, podendo ir até 10 dias.
A infecção pode ser contraída por via aérea (respiratória), através da inalação de gotículas de água ou por aspiração de água contaminada. Apesar de grave, a infecção tem tratamento efectivo.

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