Algo se move

Num país paralisado pela insensibilidade aos desmandos dos criminosos de diversos feitios, perdida que foi a referência a um Deus que dizia o que era pecado, tudo parecia permitido aos mandantes quer fossem ou não do poder político, ficando todos os pecadores desobrigados de castigo desde que atribuíssem as culpas própria aos “políticos”, que alguém ensinou e convenceu que ninguém os castigaria tal como agora, inesperadamente para eles, acontece. Contudo, tal como o inferno está cheio de boas intenções, o Estado também está cheio de pequenos detentores de poderes circunstanciais, que impõem sempre que tal lhes apetece. E sofremo-los no dia-a-dia.

Acontecem até assembleias municipais, onde os detentores precários do poder político impõem silêncios, e só porque assim podem almejar a continuidade do seu poder e o direito de comer bem todos os dias para eles e para os seus vassalos, que os apoiam denodadamente. Acontecem por isso comportamentos inapropriados nos tribunais, obrigando os juízes a chamar a atenção dos infratores. Acontece quando pensam que estão aí nas suas sete quintas e logo recebem a censura de juízes que não querem entrar nesse jogo (Jornal de Notícias, 7-7-21, p. 14, colunas 5 e 6). Entretanto quase ninguém questiona a inabilidade de os partidos do poder de escolher criteriosamente os seus candidatos. Contudo, tudo parece mover-se no sentido de levar alguns dos malandrecos à justiça.

Contam-nos os jornais que a EDP pensa, tal como alguns dos seus funcionários mais broncos reivindicam, que o mundo tem de obedecer às suas habilidades financeiras, lesando regiões desfavorecidas e os povos aí excluídos do progresso (JN, 7-7-21, pp. 4-5). E os jornais, principalmente os nacionais, esquecem-se sempre de contar como tudo se passou nos locais do nosso Interior em que estes crimes magoam mais as populações.

Vivemos tempos de mutação pois todo o poder político está em jogo face às eleições autárquicas, assistindo-se neste momento ao questionar das escolhas dos candidatos de cada partido político, onde, como sabemos, alguns que desejavam ser candidatos foram preteridos como resultado de jogos pouco claros de bastidores. Ficaram furiosos e tornaram-se independentes. Outros não foram escolhidos e não se importaram. Ficaram até felizes. Podem gozar o verão descansadamente.

Segue-se agora o gozo com a inabilidade das equipas de apoiantes de escrever em português aceitável. Já comecei a ver este filme dos disparates e nem me rio. É só mais uma forma de se entreter a gente nestas noites de verão frio em casas sem grande aquecimento, revelando pobreza energética e culpando dela a pobreza das gentes. Esquecendo sempre as políticas desastrosas de governantes sem as capacidades necessárias.

Talvez se discutam agora as razões que levaram à existência de tantas casas degradadas por este Portugal fora. Ninguém parece querer relacionar esta existência com os sacrifícios que foram sendo impostos aos portugueses, justificando o seu injustificável empobrecimento continuado. Ficam por isso admirados os portugueses que leem jornais com o elevado número das casas inabitáveis que estão habitadas. Os outros não se importam. Limitam-se a votar nos candidatos à procura de emprego rendoso.

Nem sequer questionam quem mergulhou tantos compatriotas na pobreza. Nem sequer perguntam porque alguns têm bons palácios ou porque outros têm primos amigos que lhe emprestam casas junto à praia.

Nós outros, como não temos primos assim, ficaremos a gozar em casa as férias. E nem nos importaremos muito pois o tempo vai desagradável e instável. Contentar-nos-emos em passear perto das nossas casas ou nos campos da nossa aldeia.

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