Álvaro Amaro dispensa ajuda dos socialistas e pede que fiquem «quietos» no processo do Hotel Turismo

O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Álvaro Amaro, anunciou na Assembleia Municipal, que vai ser feita uma auditoria externas às contas do município para que os candidatos às eleições autárquicas sai-bam com o que contam e que o governo vai avançar com uma segunda avalia-ção ao hotel turismo. Dispensou a disponi-bilidade do PS para ajudar nesse processo e pediu para que fiquem quietos. Da bancada do PS surgiram críticas à administração da Unidade Local de Saúde da Guarda, à colocação de uma estrutura metálica na muralha da cidade e ao «falhanço total» que foi a participação do presidente da Câmara num programa da televisão pública sobre o interior.

A bancada do CDS-PP na Assembleia Municipal da Guarda voltou a chamar ao debate o futuro do Centro Educativo do Mondego, instituição que o governo se prepara para extinguir criando nas suas instalações uma cadeia de baixa segurança para reclusos mais idosos. O partido recebeu resposta à carta enviada pela à ministra da Justiça e entende que «é pouca a consideração que o governo teve para com a Assembleia Municipal da Guarda ao não considerar a moção aprovada «Em Defesa da Manutenção do Centro Educativo do Mondego». De acordo com a intervenção da deputada centrista Elsa Silva, a ministra respondeu que «sob o ponto de vista do desenvolvimento económico e da coesão territorial, o concelho da Guarda em nada será prejudicado, pois o número de reclusos que ali serão alojados será significativamente superior ao número de jovens internados». O CDS-PP realça que a resposta da ministra não explica se o número de funcionários é para manter e defende que «havendo a intenção de instalar um estabelecimento prisional de baixa segurança basta olhar para o exemplo de um similar que existe na Covilhã para se perceber que a vigilância será aligeirada e garantida com poucos profissionais, que serão guardas prisionais». Elsa Silva perguntou ainda aos deputados se sabiam que «há funcionários do Centro Educativo que vão trabalhar para a Covilhã, para Viseu e outros que estão a ser convidados para irem para Vila do Conde?» A deputada reconheceu que «é verdade que ninguém fica no desemprego , mas muitas das pessoas que ali trabalham também não ficam na Guarda, acentuando ainda mais o despovoamento e o empobrecimento do concelho». A bancada do CDS entende que o encerramento do Centro Educativo «é mais um vergonhoso atentado ao concelho da Guarda». O presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro, disse ter a garantia de que o número de postos de trabalho será para aumentar com a transformação em estabelecimento prisional de baixa segurança. O autarca voltou a afirmar que a sua preocupação são os postos de trabalho e não a natureza da instituição. «Não discuto centro educativo nem prisões. Eu discuto emprego», sustentou. O deputado do PS, António Saraiva, também líder distrital dos socialistas, disse posteriormente sobre este assunto que os actuais postos de trabalho é para serem mantidos e que vai «duplicar» o número de funcionários. Anunciou que haveria mais investimento no espaço e que o número de reclusos a acolher poderá chegar à centena.
Na intervenção antes da ordem do dia, António Saraiva aproveitou para se referir ao que considerou serem «insinuações» que o presidente da Câmara fez sobre o hotel turismo de que haveria dirigentes do PS a tentar travar o processo de venda. «Nunca encontrará pessoas que vão contra os interesses da cidade por causa de interesses partidários», sublinhou, rejeitando a ideia de que possa haver alguém do PS envolvido no assunto e manifestando-se disponível para estar «ao lado» de Álvaro Amaro para zelar pelos interesses da Guarda. «O senhor passará por esta terra por mais alguns anos e depois irá tratar da sua vida. Eu ficarei por aqui, tenha saúde ou não», ironizou dirigindo-se a Álvaro Amaro. António Saraiva disse que em breve deverá haver novidades sobre o assunto e lembrou que o PSD em três anos não conseguiu resolver o assunto.
Em resposta às considerações do líder socialista, Amaro disse que não eram «insinuações» e reafirmou que o PS «se mantém muito dividido» sobre o assunto, havendo quem não concorde que o imóvel seja colocado no mercado. O autarca recusou ainda a disponibilidade de António Saraiva para resolver o assunto. «Dispenso os seus serviços. Se os senhores [PS] estiverem quietos a coisa anda. Estejam quietinhos. Se os senhores mexerem estragam tudo», justificou. O autarca anunciou que o governo está a promover uma segunda avaliação do imóvel para depois ser colocado novamente no mercado.
Antes do período da ordem do dia, o presidente da Câmara da Guarda anunciou que irá mandar fazer uma auditoria externa às contas do município para que os candidatos às próximas eleições possam saber com o que contam. «Quero que os candidatos tenham na mão aquilo que eu não tive», argumentou Álvaro Amaro.
PS denuncia atentado à muralha da cidade
O deputado António Saraiva levou à Assembleia Municipal a opção censurada nas redes sociais de aplicar à muralha da cidade, junto à Porta D’El Rei, uma estrutura metálica que impedia a subida das escadas. A estrutura esteve colocada durante alguns dias e acabou por ser retirada. António Saraiva disse tratar-se um «atentado à muralha» e questionou o executivo sobre se a solução terá merecido o aval da Direcção Regional da Cultura do Centro, argumentando que tal opção não se coaduna com a política para o património seguida por aquele organismo. O presidente da Câmara justificou que se tratou de um recurso «experimental» para resolver com urgência uma questão de segurança, dado o uso que estaria a ser dado ao espaço nomeadamente por jovens.
Da bancada do PS surgiram ainda algumas considerações sobre a partipação de Álvaro Amaro no programa “Prós e Contras” da RTP, dedicada ao interior do país. Numa intervenção bastante dura, o deputado António Monteirinho disse ter sido «um falhanço total» a participação do autarca da Guarda. «Se era para pôr a Guarda no radar, com a sua intervenção deixou de estar», considerou. O socialista acusou o autarca de se ter perdido «em floreados» e de se ter esquecido que estava a representar a Guarda. António Monteirinho disse ter havido «falta de preparação». O autarca respondeu que deve ter «doído muito» ao PS a participação do autarca no programa. «Eu sou suficientemente grande em termos de coerência e convicção. É uma grandeza ainda maior para a Guarda», disse Álvaro Amaro.

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