António José Dias de Almeida, ex-mandatário de Sampaio na Guarda, reage à morte do antigo presidente da República

António José Dias de Almeida, que foi mandatário nas duas candidaturas de Jorge Sampaio à presidência da República em 1996 e 2001, reagiu à morte do antigo presidente, que «é uma referência, um homem exemplar». «A sua morte deixa-me profundamente consternado», disse esta manhã ao TB o ex-mandatário, enaltecendo o percurso de Sampaio, «um homem bom, um senhor em toda a dimensão da palavra, que marca não só uma geração mas variadíssima gerações porque ele tinha a capacidade de influenciar». «Sempre com uma delicadeza extraordinária, tinha a capacidade de angariar para o seu terreno como amigos e até adversários políticos tinham por ele um respeito extraordinário, são vários os depoimentos que atestam isso mesmo», disse, salientando que «foi de facto um humanista, de grandes convicções democráticas».

Recorda que em 1995 Jorge Sampaio deixou o cargo de presidente da Câmara de Lisboa para se candidatar à presidência da República «de uma forma muito pessoal, sem ter praticamente dado conta a ninguém». «Ele avança para esse cargo e vai ganhar com notoriedade e depois vai ser reeleito com margem ainda maior em relação aos adversários. Adversários que, contudo, ficaram com grande respeito pela personalidade cativante de Jorge Sampaio», acrescentou.

António José Dias de Almeida disse ainda que o antigo presidente embora parecesse ser uma pessoa «distante, era uma pessoa que se dava ao convívio com uma facilidade extraordinária, embora soubesse sempre que era necessário manter as distâncias e a dignidade dos cargos que ocupava».

O antigo Presidente da República Jorge Sampaio morreu hoje aos 81 anos. O ex-chefe de Estado estava internado desde dia 27 de Agosto no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, com dificuldades respiratórias. Sampaio estava no Algarve, mas, após sentir dificuldades respiratórias, e “dado o seu historial de doente cardíaco”, foi transferido para Lisboa, disse na altura fonte do seu gabinete.

Em 1989, foi eleito líder do Partido Socialista e na mesma altura foi eleito presidente da Câmara de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993. Após a passagem pela Presidência da República, foi nomeado em 2006 pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e entre 2007 e 2013 foi alto representante da ONU para a Aliança das Civilizações.

Actualmente presidia à Plataforma Global para os Estudantes Sírios, fundada por si em 2013 com o objectivo de contribuir para dar resposta à emergência académica que o conflito na Síria criara, deixando milhares de jovens para trás sem acesso à educação.

Jorge Fernando Branco de Sampaio desempenhou, ao longo da sua vida, os mais altos cargos políticos no país. Iniciou o seu percurso, ainda estudante, como um dos protagonistas, na Universidade de Lisboa, da crise académica do princípio dos anos 1960, que gerou um longo e generalizado movimento de contestação estudantil ao Estado Novo, até ao 25 de Abril de 1974.

Depois do 25 de Abril de 1974, militou em formações de esquerda, como o MES, onde se cruzou com Ferro Rodrigues, ex-líder do PS e actual presidente do parlamento, e só aderiu ao partido fundado por Mário Soares em 1978. Mais tarde, foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e Presidente da República (1996 e 2006).

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