Ao Concerto do Mundo

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Vamos entrar na fase de desconfinamento progressivo e nós, os caseiros e donos de nós, sentimos um certo desmoralizar por, em breve, termos que ter pessoas à nossa volta. Talvez seja um sentimento comum para os criadores, precisamos de silêncio para nos ouvirmos e as pessoas desconcentram-nos. Sabemos que este talvez seja um sentir não partilhado pela maioria e ainda bem, porque se todos fossemos bichinhos de casa, o mundo seria um lugar muito sombrio e pouco social.

Claro que ansiamos a normalidade para a recuperação económica e para as liberdades voltarem a ser permitidas. Liberdade para ir, para ficar, para estar com quem e onde queremos.

Apesar de se estarem a abrir, progressivamente, os diferentes serviços, estamos ainda em estado de calamidade pública, o que para muitas pessoas é desconsiderado, entendendo-o como normalidade. Continuamos a viver um flagelo, são, diariamente, perdidas dezenas de vidas pela Covid-19 e o contágio continua. Infelizmente, o vírus não desapareceu e continua, invisível, transportado por pessoas.
Temo que muitos de nós não consigam perceber a gravidade que ainda existe e desconsiderem as medidas preventivas que são de responsabilidade individual, antes que coletiva, e se regrida.

Continua a haver desinformação que pretende confundir o telespectador, levando-o a assumir uma posição contra-poder. Entendi assim, a entrevista, na SIC, à Ministra da Saúde, onde as perguntas feitas por Rodrigo Guedes de Carvalho mostravam uma clara falta de isenção política e uma linha de destruição gratuita. Tentativa de, porque, muito profissionalmente e assertiva, Marta Temido mostrou, sem qualquer dúvida, quem calça a luva branca.

Há um ódio e críticas destrutivas desnecessárias ao trabalho feito pelos governantes do nosso país que se viram, do dia para a noite, perante uma situação nunca antes experienciada e tiveram que dar respostas na prontidão da incerteza. E se fossemos nós no lugar deles? É muito fácil opinar a partir do conforto dos nossos sofás mas a situação seria diferente se a decisão final tivesse que ser assinada por nós.

Portugal tomou as decisões acertadas na hora exata e, felizmente, afastamo-nos, significativamente, dos cenários de outros países, mas esta é uma luta de todos que está longe de se dar por concluída.

Que não sejamos nós a desiludir, que não sejamos nós os responsáveis por mais mortes.

Sejam bem vindos à nova vida, irremediavelmente diferente, aos novos hábitos e novas responsabilidades que farão de nós pessoas diferentes.

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