«Aquilo que encontrámos dentro da Câmara da Guarda foi uma mão cheia de nada em termos de compromissos»

Na segunda parte da entrevista ao presidente da Câmara da Guarda (que será publicada na íntegra na edição de 2 de Dezembro), Sérgio Costa refere que o que encontrou no Município quanto a compromissos foi «uma mão cheia de nada». Em causa está, por exemplo, o destino a dar à antiga Casa da Legião Portuguesa que o anterior autarca, Carlos Chaves Monteiro, queria transformar em museu de arte contemporânea. Outro dos exemplos é a ocupação que poderá vir a ter a antiga sede da Associação Comercial.

Quanto à ex-Casa da Legião, Sérgio Costa defende que «deve ser auscultada a população para se saber se deve ser recuperada ou demolida para dar lugar a uma nova praça, com estacionamento subterrâneo. No que respeita à antiga sede da Associação Comercial, para onde estava planeado transferir o Centro Distrital de Operações e Socorro, nada ainda está definido, estando a decorrer negociações com o Ministério da Administração Interna.

Jornal Terras da Beira – O anterior presidente da Câmara tinha planeado transferir o CDOS [Centro Distrital de Operações e Socorro] para a antiga sede da Associação Comercial da Guarda (ACG), adquirida pela autarquia, e assim deixar livre o edifício que já foi uma residência de estudantes para vir a retomar essas funções. Pretende prosseguir esse objectivo ou quer dar outra finalidade à antiga sede da ACG?

Sérgio Costa – Nós estamos neste momento em estreitas negociações com o Ministério da Administração Interna em tudo. Em todas as necessidades das forças dependentes do Ministério da Administração Interna , nós estamos em negociações. Aquilo que encontrámos dentro da Câmara da Guarda foi uma mão cheia de nada em termos de compromissos. Ou seja, prometia-se gastar milhões e milhões de euros dos cofres da autarquia sem uma única fonte de financiamento, mudando várias forças de sítio mas nada concreto e definido. E nós estamos neste momento a negociar com o Ministério da Administração Interna todas as suas necessidades para podermos no futuro trabalhar sobre isso.

Neste caso não há nenhum compromisso assumido?

Não há nenhum compromisso escrito.

Quer dizer que está em condições de alterar o que está previsto?

Nós estamos em negociações com o Ministério da Administração Interna. Mais do que isto não podemos dizer. Não é só nesse caso mas também noutros. Foi mesmo das primeiras coisas que começámos fazer. Esperemos no futuro pelas notícias e por boas notícias.

O edifício que o CDOS ocupa seria uma boa oportunidade para a Câmara da Guarda criar condições para o alojamento de estudantes?

Claro que sim. Todos nós defendemos isso há vários anos. Já foi, afinal de contas, uma estrutura residencial para estudantes e deve voltar a ser. Tem que ser requalificada e, se possível, ampliada, para ali podermos voltar a ter alojamento para estudantes.

Atendendo à necessidade de haver mais quartos para os estudantes, a Câmara da Guarda pensou nalguma alternativa para tentar resolver problema?

Em função daquilo que existe na cidade, estamos em estreita ligação com as instituições de ensino para, à medida das nossas possibilidades – não se consegue construir uma residência de um dia para o outro -, tentar encontrar as soluções possíveis num curto prazo, independentemente de outras soluções no futuro.

A Câmara da Guarda adquiriu este ano a antiga casa da Legião Portuguesa para instalar o futuro Museu de Arte Contemporânea, com a colecção de António Piné. Esse edifício vai mesmo servir para esse fim ou a opção passa pela demolição e criação de um largo em frente à porta principal da Sé Catedral?

É um assunto que vamos colocar em discussão pública. A cidade e o concelho irão decidir. É assim que os políticos devem fazer quando há dúvidas. Deve ser auscultada a população sobre o que é que entendem: se aquele espaço deve ser alvo de uma recuperação, que rapidamente se gastará ali um ou dois milhões de euros, ou se simplesmente se faz a sua demolição e se cria ali um parque de estacionamento subterrâneo, que é possível, e se faz ali uma nova praça em frente à porta principal da Sé Catedral. E é isto que queremos colocar à discussão pública.

E isso valorizava os dois edifícios históricos (o Solar teles de Vasconcelos e a antiga sede da ACG)?

Toda a envolvente, toda a cidade, a começar pela Sé Catedral. Nós já chegámos à conclusão – ontem mesmo [dia 18 de Novembro] estive em Lisboa onde falei sobre o Museu Nacional de Farmácia, com o qual não há qualquer compromisso escrito sobre essa matéria. Falou-se muito de cigarra e pouco se fez no trabalho da formiga. Não existe nada sobre essa matéria. Não existe nenhum projecto adjudicado para aquela zona. Não existe qualquer garantia de financiamento para aquela zona. Nós não devemos criar “elefantes brancos” na cidade.

O anterior presidente da Câmara tinha dito em Maio deste ano que seria o arquitecto Souto Moura a fazer o projecto para o ex-edifício da Legião?

Nada existe sobre essa matéria. E, por isso, é que nós temos que redefinir estrategicamente. A cidade deve pensar nisso. Nós vamos retomar o projecto do Quarteirão das Artes. Afinal de contas já gastámos muito dinheiro nos projectos e nos estudos do Quarteirão das Artes. Aí sim deve ser feito o Museu de Arte Contemporânea, paredes-meias com o Paço da Cultura e com o Museu de Arte Sacra que está em estado avançado da sua finalização. E é isto tudo que nós devemos saber planear para o futuro.

Posso depreender que a sua opinião vai no sentido de ser criada essa praça em frente à porta principal da Sé catedral?

Não. Nós não temos ideias fixas. Cada um de nós terá a sua opinião. Nós queremos ouvir as pessoas sobre isso. Aquele edifício está em avançado estado de ruína. A não ser o brasão que lá está, em parte destruído, mas que merece ser recuperado, tudo o resto, sob o ponto de vista histórico-patrimonial, nada mais resta. Aliás, um dia destes o edifício cai.

A Câmara comprou alguns edifícios na Praça Luís de Camões, popularmente conhecida por “Praça Velha”. O que vai fazer daqueles edifícios?

Tenho em agendamento uma reunião com a Comunidade Intermunicipal , primeiramente para perceber as suas necessidades, porque irá ver cada mais as suas competências reforçadas. Porque a sede da Comunidade Intermunicipal está na Guarda e daqui não sai. É com essa abrangência de futuro que nós devemos pensar. E esta é a opinião generalizada dos autarcas da região. É manter esta nossa centralidade. Dentro em breve apresentaremos à cidade o que iremos fazer daquelas três casas. A Praça Velha deve ser também para dar vida à cidade.

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