Arqueólogos associam-se ao pesar pela morte do presidente da Fundação Côa Parque

A Associação dos Arqueólogos Portugueses (AAP) associou-se ao momento de pesar pela morte, no Sábado, do presidente da Fundação Côa Parque (FCP), Bruno Navarro, reconhecendo o seu legado deixado ao longo de mais de três anos, indicou aquele organismo.

«É com a maior consternação que acabámos de tomar conhecimento do súbito falecimento do Prof. Doutor Bruno Navarro, presidente do Conselho Directivo da Fundação Côa Parque. Com efeito, nada faria prever tão dramático acontecimento, que constitui uma enorme perda para o país e para a instituição [FCP] a cujos destinos presidia desde 2017», indicou uma nota da AAP, a que a Lusa teve acesso.

O presidente da AAP, José Morais Arnaut, lembrou que a nomeação de Bruno Navarro foi inicialmente contestada por muitos arqueólogos, que teriam preferido ver na direcção do Parque Arqueológico do Côa um outro arqueólogo, especialista em Arte Rupestre.

«O que é certo é que Bruno Navarro, graças às suas elevadas qualidades humanas e capacidades de gestão, depressa conseguiu conquistar as boas graças dos cerca de 50 trabalhadores que integram os quadros da Fundação Côa Parque, bem como a aceitação generalizada da Comunidade Arqueológica», vincou o responsável em nota de pesar.

A APP reconheceu no mesmo documento que Bruno Navarro chegou à direção da FCP numa altura particularmente difícil da ainda curta vida daquela instituição, devido à enorme escassez de meios humanos e materiais de que dispunha, face às responsabilidades de gestão de um tão vasto e complexo território, que integra um dos mais importantes e sensíveis conjuntos de arte rupestre pré-histórica do mundo.

Por outro lado, a associação lembrou que o Museu do Côa é um edifício altamente tecnológico, com os inerentes problemas de manutenção de equipamentos, e que Bruno Navarro começou por ouvir todos os trabalhadores afetos ao museu e ao Parque Arqueológico do Côa, para se inteirar dos problemas e necessidades das respetivas áreas.

Nesse sentido, «conseguiu que o Estado assumisse o avultado passivo que havia sido acumulado nos anos anteriores, para que a Instituição readquirisse a credibilidade que havia perdido, e assegurasse os financiamentos necessários» para manter o seu funcionamento”, referiu a nota.

Nos anos que se seguiram, verificou-se «um aumento substancial da visibilidade e do número de visitantes» e foram mobilizados «todos os investigadores no sentido de obterem junto da Fundação da Ciência e Tecnologia e de outras instituições nacionais e internacionais os meios necessários para prosseguirem as suas investigações», acrescentou.

Investigações que «têm decorrido com o maior sucesso científico e repercussão internacional, muito prestigiando a investigação arqueológica em Portugal», frisou a AAP.

A associação destacou ainda que o Museu e Parque Arqueológico do Côa conseguiram, assim, em pouco mais de três anos, «sair da longa letargia em que se encontravam, e voltar a desempenhar um papel de grande destaque, no panorama da arqueologia portuguesa e mundial».

Como o TB noticiou, o presidente da FCP, Bruno Navarro, morreu no sábado, vítima de “doença súbita”.

Bruno Navarro, que nasceu em Coimbra em 1977, era presidente do conselho directivo da Fundação Côa Parque, a entidade que gere o Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa, desde 26 de Junho de 2017, após nomeação pelo Ministério da Cultura.

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