Arte, Respeito, Força – Karaté

Uma Arte Marcial, um Desporto, uma Filosofia, uma Forma de Estar.

O caminho do carateca é o do aperfeiçoamento técnico. Para atingir esse objetivo, não é suficiente treinar o corpo e mantê-lo forte, sendo também necessário ser acompanhado de treino psicológico. O treino psicológico visa melhorar a concentração do praticante, manter o foco e adquirir o controlo das suas emoções. Uma mente forte, focada e equilibrada tem mais possibilidades de tomar boas decisões. O carateca, ao seguir os ensinamentos do dojo, deve transportá-los para a sua vida pessoal e ser um bom exemplo enquanto cidadão. Este é um dos ensinamentos que o mestre Funakoshi nos deixou e que se tornou crucial durante este ano de pandemia.

Todos, de uma forma ou de outra, fomos afetados por este vírus, o que nos obrigou a refazer objetivos. Restringiu-nos no nosso dia a dia, colocando-nos frente a frente com situações de desilusão e frustração.

No meu desporto, o Karaté, a maior situação de desilusão e frustração foi “Os Jogos Olímpicos Tóquio 2020”. Toda a comunidade mundial do Karaté estava a trabalhar para a estreia deste desporto nos Jogos Olímpicos, seria o culminar de uma luta, com tudo o que isso significava. A entrada da modalidade Karaté para a categoria Desporto Olímpico seria o auge de 2020, que se iria realizar nesse país emblemático, o país do “Sol Nascente”, que tanto significado tem para nós, caratecas. A verdade é que a pandemia impediu que o evento se realizasse e, com isso veio a desilusão que nos invadiu a todos.

Para todos os atletas, que diariamente treinam para as competições Regionais, Nacionais e Internacionais, foi um ano cheio de desilusões, avanços e recuos, que não poderíamos prever e que não estava nas nossas mãos alterar ou decidir o caminho a seguir. Com um calendário desportivo que não se podia cumprir, mas com o espírito que nos acompanhava todos os dias, não podíamos parar. Para nós, palavras como “não sou capaz, não vou conseguir”, são palavras proibidas no dojo e na vida. Muitas vezes, durante este período, o caminho mais fácil era esse. No entanto, os ensinamentos de anos, “obrigam-nos” a levantar, e com a força interior que só um carateca conhece, dizer: “Eu continuo, eu não desisto”. Foi assim que este ano nos colocou frente a um adversário que estava à nossa espera, cada vez que abríamos a porta de casa, cada vez que respirávamos. A única forma de ganhar este combate é fazer da defesa o melhor ataque, sim, mais uma vez, aquilo que aprendemos no dojo, iriamos aplicá-lo no quotidiano da nossa vida. Defender para não haver ataque, sem querer sermos vencedores, apenas não nos deixarmos vencer.

O foco para 2021, é o treino de aperfeiçoamento das técnicas que compõem o Karaté, para estar preparada para qualquer competição assim que seja possível.

O desejo para 2021, é poder voltar a competir com o público presente nas bancadas.

Bom 2021, Adeus 2020.

Lucinda Fernandes, 1ºDan de Karaté

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