«Assistimos em Portugal à manutenção de uma atitude de lamentável condenação da Cultura a mero adereço»*

A actividade cultural em 2020 foi, naturalmente, condicionada pela pandemia Covid-19. No Síntese – GMC procurámos manter tanto quanto possível as actividades previstas. Com a colaboração dos programadores (nomeadamente do Teatro Municipal da Guarda e da Cultura Vibra, em Castelo Branco) foi possível realizar, ainda que com reagendamento, o XIV Ciclo de Música Contemporânea da Guarda.

Embora nem todas as actividades do ciclo se tenham realizado, o essencial da sua matriz manteve-se. Foi possível também realizar um concerto fora de Portugal, no XII Ciclo de Música Actual de Badajoz. No entanto, outras actividades foram adiadas para 2021, nomeadamente as tournées no Brasil e na Geórgia. Mas, para além das consequências da situação pandémica, em 2020 assistimos em Portugal à manutenção de uma atitude de lamentável condenação da Cultura a mero adereço, reflectida na minúscula dotação no Orçamento de Estado para esta área.

É urgente que a Cultura passe a representar uma fatia de, pelo menos, 1% do Orçamento de Estado, para que as entidades culturais que queiram mostrar trabalho o possam fazer e para que, também nesta área, possamos estar em consonância com outros países europeus. A nível local lamentamos que a Câmara Municipal não tenha ainda percebido, na prática, o papel singular que o Síntese – GMC tem na cultura portuguesa de vanguarda. É um dos poucos grupos de música contemporânea portugueses, e um dos muito poucos com actividade continuada e consistente.

O reconhecimento pela Direcção-Geral das Artes sob a forma de apoio financeiro – tanto mais significativo quanto se verificam as limitações orçamentais acima referidas – e a progressiva internacionalização do grupo deveriam ser sinais suficientes para que a CMG percebesse que deveria assumir o apoio ao grupo de forma inequívoca. No entanto, o valor monetário diminuto atribuído ao Ciclo de Música Contemporânea mantém-se igual há vários anos e uma proposta de protocolo que, no devido tempo, enviámos à CMG continua sem resposta. Lamentável numa cidade que se apresenta como candidata a Capital Europeia da Cultura em 2027. Em contraste, registamos como muito positivo o diálogo com a comissão responsável pela candidatura, dirigida por Pedro Gadanho, e que parece mais ciente do papel que a música contemporânea e o Síntese podem desempenhar numa cidade e numa região com estas aspirações.

Carlos Canhoto, director artístico do Síntese

*Título da responsabilidade da Redacção

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