Autarcas do Douro unidos em defesa intransigente da linha do Douro

Os 19 autarcas do Douro uniram-se em defesa intransigente da linha do Douro, para onde reivindicaram um serviço público de qualidade e denunciaram «o desinves-timento» a que tem sido sujeita ao longo dos anos. «E o que decidimos foi, mais uma vez, levantar a nossa voz em defesa da linha do Douro e de um serviço público ferroviário de qualidade nesta linha e dirigi-la ao Governo, à CP bem como às Infraestruturas de Portugal», afirmou aos jornalistas Francisco Lopes, presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro).
Esta tomada de posição unânime foi tomada durante a reunião ordinária da CIM Douro que decorreu no último dia de Agosto, em Murça, distrito de Vila Real, e depois das muitas críticas lançadas nas últimas semanas ao serviço prestado pela transportadora na linha do Douro. As operadoras fluviais, turistas, clientes regulares e autarquias locais alertaram para a supressão de ligações, para as carruagens apinhadas e as avarias no ar condicionado.
Francisco Lopes, que é também presidente da Câmara de Lamego, esclareceu que a CIM vai remeter uma exposição ao Governo, à administração da CP e à Infraestruturas de Portugal, «fazendo uma defesa intransigente da infraestrutura ferroviária da linha do Douro e da qualidade de serviço». Salientou ainda que os autarcas estão preocupados «com a desqualificação a que tem sido sujeita toda a linha do Douro ao longo dos anos», desde a própria infraestrutura, as estações e a redução de material circulante. Material que, sublinhou, tem sido alterado para «níveis que não são compatíveis quer com a procura diária, quer com uma procura crescente a nível turístico». «Receamos muito que este desinvestimento que tem vindo a ser feito conduza a linha do Douro e o serviço ferroviário no Douro a um nível de desqualificação tão grande que justifique medidas gravosos como as que já foram tomadas em outros pontos do território, inclusive no Douro, com o encerramento a montante do Pocinho. E essa é uma situação absolutamente inaceitável para os autarcas da CIM», frisou.
Francisco Lopes disse ainda que a electrificação da via «é prioritária». «Entendemos que é altura de ser encarada já que, pela primeira vez, há fundos comunitários e uma prioridade de investimento na ferrovia em Portugal que nunca houve em quadros comunitários anteriores», salientou.
O vice-presidente da Câmara de Peso da Régua, José Manuel Gonçalves, lembrou que «já há muito tempo» que o seu município alerta a CP para «a diminuição da qualidade do serviço». «A CP tem que olhar para esta linha como uma linha estratégica e não só até à Régua, para lá da Régua e transversal a toda a região», frisou.
José Manuel Gonçalves defendeu a modernização da linha até ao Pocinho, mas também a aposta da ligação a Espanha, reactivando o troço até Barca de Alva», uma proposta colocado na agenda do Eixo Atlântico em 2007. «Era mais uma auto-estrada que tínhamos para ligar o interior», salientou.
A CP já reconheceu que está a ter dificuldades em responder «aos crescimentos brutais» da procura na linha do Douro porque «a capacidade não é ilimitada» e adiantou que está a tentar encontrar soluções com a tutela.
Segundo os dados da transportadora, no mês de Junho, na linha do Douro, o transporte de grupos aumentou 73%, o que corresponde a mais 8.314 viagens realizadas, num total de 19.629 passageiros transportados em grupos nesse mês.

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