Autores do plano de rearborização da Guarda asseguram compatibilidade com ambição bioclimática

Os autores do plano de rearborização apresentado a semana passada pela Câmara Municipal da Guarda asseguram que a intervenção é compatível com a ambição de transformar a Guarda em cidade bioclimática. Nos diversos fóruns que já foram promovidos na cidade sobre este tema, os especialistas têm vindo a alertar para a necessidade de ter em atenção a escolha das árvores a plantar ou para substituir para que a qualidade se possa manter ou até melhorar.
Na sessão pública do projecto garantiram que esses critérios foram «perfeitamente avaliados». O alerta foi lançado pelo Pedro Tavares, presidente do NERGA e um dos empresários envolvidos na Guard’Ar – Associação para a Promoção do Ambiente e Saúde no Concelho da Guarda, que promoveu a realização do primeiro estudo de avaliação às características do ar da Guarda. Pedro Tavares sublinhou que existe uma lista do tipo de árvores que devem ser evitadas para não prejudicar a qualidade do ar, lembrando que a Guard’Ar dispõe dessa informação.
A Câmara da Guarda pretender plantar mais de duas mil árvores até ao final do Inverno de 2017. Uma das zonas com maiores transformações será a Avenida de Salamanca onde serão substituídos alguns dos cedros por outro tipo de árvores. Carlos Ribas, um dos autores do projecto apresentado, disse que com a intervenção os habitantes vão aperceber-se da mudança da estações do ano através das árvores plantadas naquela zona. A rearborização prevê entre outras espécies a plantação de faias, bétulas, liriodendron e castanheiro da Índia.
Recorde-se que a Federação Europeia de Bioclima-tismo distinguiu a Guarda como “Cidade Bioclimática” em 2004. O estatuto foi atribuído com base num estudo realizado às características do ar da Guarda, através do qual os especialistas concluiram que a cidade tinha «condições para ser um centro de referência na Península Ibérica» uma vez que não há outra cidade em altitude que tenha um estudo que ateste as qualidades do ar. Quando o estudo foi apresentado em Fevereiro de 2004, falou-se na possibilidade de serem projectadas escolas para crianças, centros para tratamento de doenças respiratórias e até centros de estágio para desportistas de alta competição. «Tudo é possível, depende dos interesses e da política que houver para a região», preconizava na ocasião o médico imunoalergologista do British Hospital (Lisboa) e presidente do Conselho Científico da Guard’Ar. O estudo custou 100 mil euros, sendo a maior parte do investimento sido assegurado pelos empresários da Guard’Ar e os restantes 44 por cento suportados pela Câmara da Guarda. Os resultados do estudo nunca foram aproveitados.
Nove anos depois a Câmara da Guarda decidiu lançar um concurso público para monitorizar e atestar as qualidades do ar. O procedimento viria a ser anulado e o actual executivo decidiu contratualizar a monitori-zação do ar da Guarda através de ajuste directo, por 40.650 euros.
A verba estava cabimen-tada no Orçamento de 2014 na opção Recriar, revitalizar e atribuir densidade conceptual à Marca Serra da Estrela, nome atribuído à candidatura aprovada pelo PROVERE. Na altura, o presidente da Câmara, Álvaro Amaro defendeu que podiam «todos andar a falar do ar» mas que era preciso «que a qualidade deste esteja certificada».
EG

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