Balanço de um ano de Pandemia

Olho o tempo vivido desde que a Pandemia ocupou a Terra, e só para nos obrigar a refletir sobre o nosso modo de vida, de trabalho e até nos questionar sobre as ilusões que há muito mantemos sobre o que é a normalidade dos comportamentos humanos. Mas, muitos continuam a pensar que finda a Pandemia voltaremos à velha normalidade. De facto, os atores políticos mais limitados em inteligência e imaginação pensam que basta virar o disco e tocar a mesma e gasta música. Admirar-se-ão se esta não lhes soar igual.

Perante a nunca dita violência dos SEFs e de outras forças policiais, fazem-se de novas os detentores do poder político que pensavam que por nada ser dito nada tinha acontecido. Mas, em dia de prendas soubemos que “o Ministério Público (MP) deduziu acusação contra seis militares da GNR de Aveiro, imputando-lhes a prática dos crimes de abuso de poder, dano com violência e prevaricação. Entre os arguidos estão um tenente-coronel…” (Diário As Beiras, 24 de dezembro de 2020, p. 15). Não admira que em vésperas de Natal, o presidente de Câmara de Abrantes, Manuel Valamatos, seja agredido com um cajado como nos contam diversos jornais, mostrando como em tempo de pandemia nada ficou mais calmo. Só escassamente mais esquecido.

Pensam os mandantes que matando os mensageiros tudo fica melhor. Mas, os problemas aparecem logo mais à frente. Só ficam mais confusos e com isso nada se ganha coletivamente. Só ganham os prevaricadores. Acontece com uma mina em Valtreixal perto de Bragança, em que tudo se embaralha nas consequências por um Ministro do Ambiente se furtar a ter opinião e, por consequência, ficar justificado o seu nada fazer para repor ambientalmente tudo no seu devido lugar. Mas, esta forma de deixar tudo na mesma tem de mudar pois fica sempre tudo pior. Nela nada muda qualquer insubmissão quando falta a necessária consciência do real por estarem embaralhadas as opiniões públicas. É o resultado da mistura de opiniões de governantes, que não querem mudar nada e de jornalistas que tudo querem justificar no mundo em que vivem e que querem imutável.

Ficam todos admirados quando verificam que tudo piorou em largas faixas do território. Nem sequer reparam que é tudo o resultado de manigâncias de gente que manipula palavras para conquistar pequenas vitórias que só servem para que nada mude. E tudo piora logo e quando uma Pandemia mostra como há novas e inesperadas falhas na racionalidade que já se pensava como adquirida. Vemos até que nem a publicidade funciona no negócio.

Assim, em 18 de dezembro de 2020 divulgaram-se os Resultados Preliminares do Recenseamento Agrícola de 2019 e de acordo com eles a utilização das terras agrícolas alterou-se, verificando-se um decréscimo de 12% nas terras aráveis, mais que compensado pelos expressivos aumentos das áreas das culturas permanentes (+24%) e das pastagens permanentes (+14%), associada a uma forte aposta na instalação, modernização e rega de olivais e pomares, principalmente de frutos pequenos de baga, subtropicais e amendoais. Infelizmente, foram só mudanças que não trouxeram esperança nem sequer melhoria das condições de vida do nosso Interior, prejudicadas também pelas restrições que a Pandemia trouxe aos mercados agrícolas.

Tudo mostra como a política agrícola, que devia ter melhorado as perspetivas de vida na agricultura levaram ao abandono quase total das aldeias.

Assim, neste tempo de Ano Novo quando percorremos o país, vemos como as ficções que aconselhavam ao abandono dos territórios do Interior, foram um logro que criaram vazios que empobreceram o todo nacional.

Infelizmente, no próximo ano tudo pode piorar se não tivermos capacidade crítica capaz de justificar uma mudança política capaz de mudar este real.

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