Bispo da Guarda diz que aprovação da lei que permite a eutanásia é «um dos sintomas da falência do sistema»

O bispo da Guarda considerou hoje que a aprovação parlamentar da lei que permite a eutanásia «é um dos sintomas da falência do sistema», quando «há muitos outros problemas graves» que precisam de atenção» e «são marginalizados».

«A recente aprovação parlamentar da lei que permite a eutanásia e o suicídio medicamente assistido é um dos sintomas da falência do sistema, porque oferecer a morte nunca pode ser solução para qualquer problema humano», referiu Manuel Felício na mensagem de Natal que hoje divulgou aos jornalistas.

Para o bispo da diocese da Guarda, «é legítimo o empenho de todas as pessoas de boa vontade, a começar pelos profissionais de saúde, para rejeitar as possibilidades abertas pela legalização da eutanásia e do suicídio medicamente assistido».

«Isto porque a vida humana é sempre um dom precioso, em todas as suas fases, desde a concepção até à morte natural e, por isso, nunca deve ser intencionalmente provocada», justificou. Acrescentou que sabendo das carências do sistema saúde, que «são muitas e estão longe de se encontrar superadas, o risco passa a ser o recurso à eutanásia como solução mais rápida e menos onerosa». Por outro lado, o prelado diocesano salientou que já existe legislação sobre o testamento vital «que é suficiente para enquadrar as determinações do próprio sobre o final da sua vida».

No final da leitura da mensagem natalícia intitulada “Natal: A beleza da vida no rosto de uma criança”, o bispo afirmou que existem outros problemas «graves» no país que estão a precisar de atenção. «Há muitos outros problemas graves que precisam da atenção dos nossos representantes em sede de decisões legislativas e que são marginalizados. E estou convencido que se chamam estes assuntos fraturantes [para a ordem do dia] para desviar a atenção».

Manuel Felício apontou os casos da saúde e da educação. «Isto, de termos um projecto válido que seja capaz de gerar dinamismos de futuro na nossa sociedade, estamos longe de lá chegar. E não vejo que haja iniciativas nesse sentido. Em que se procurasse ter aquilo que nós chamamos o pacto educativo, porque educar não é só ensinar, como nós sabemos. Educar é muito mais do que isso. É preparar as pessoas para a vida. É lançar responsabilidades às pessoas», alegou.

Também apontou que, actualmente, a forma de lidar com as gerações mais novas é «mostrar-lhes que a vida é fácil. E não é». «A vida não é fácil. Para se atingirem objectivos é preciso arregaçar as mangas, é preciso fazer esforço, é preciso trabalhar, é preciso fazer sacrifícios. E, isto, ninguém o diz», concluiu o bispo da cidade mais alta do país.

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