Bispo da Guarda fala de abandono e solidão na mensagem de Natal

O abandono, em especial de menores, a solidão, a dificuldade das famílias e a eutanásia são os temas centrais da Mensagem de Natal do Bispo da Guarda, D. Manuel da Rocha Felício, que aproveitou a ocasião para dar a conhecer um novo programa de apoio social. «Estamos empenhados em que os serviços da Caritas Diocesana se estendam às periferias (…) para descobrir e identificar bem as situações de carência existentes, mesmo as não visíveis a olho nu», resumiu. «É por isso que, quer através do programa “Próximo mais próximo” que está a ser desenvolvido para ir ao encontro dos párocos e paróquias, quer através da marcação de tempos e lugares determinados de atendimento, por proposta dos arciprestes, sempre a contar com as instituições que já actuam no terreno, queremos contribuir para dar resposta às situações variadas de especial dificuldade que estão a atingir crescente número de pessoas e famílias», explicou o prelado.
A mensagem, lida na passada Quinta-feira, distingue, «com atenção privilegiada, as [crianças] que não têm pai nem mãe». «Queremos trabalhar para oferecer a essas crianças as condições que lhes faltam para viverem felizes. Saudamos, por isso, todas as instituições que se propõem acolhê-las e ajudá-las, com uma recordação especial para o “Anascer” que, nesta nossa cidade, ao cuidado da Caritas Diocesana da Guarda, acolhe mães com dificuldades e seus filhos, quer os nascidos quer os que estão prestes a nascer», concretizou D. Manuel.
A funcionar na Guarda «há mais de dez anos», este serviço, que tem passado por «várias fases» e recebido mães em «variadíssimas situações», acompanha neste momento «seis mães e sete crianças». «É o serviço que mais encarecidamente nós desejamos acolher, acompanhar, apoiar, porque a vida nascente merece-nos todo o respeito, toda a atenção e todo o empenho», afirmou o bispo.
Questionado se a questão do abandono foi motivada pela notícia saída há cerca de três semanas sobre crianças abandonadas no hospital da Guarda, respondeu que sim, no entanto afirmou ter sido «uma notícia alarmista». «Foi chamada a atenção para um problema que se desenvolveu ao longo de um ano e a primeira notícia que eu recebi é que estão 100 crianças no nosso hospital da Guarda a precisarem de ajuda. Felizmente que não foi isso que aconteceu», disse D. Manuel, ressalvando que não deixa de ser «dramático», assim como a questão das famílias em dificuldades por falta de emprego ou por terem salários em atraso.
O bispo chamou ainda a atenção para a questão da legalização da eutanásia, defendendo que «uma decisão desta natureza não é legítimo tomá-la nas costas da sociedade civil que, de facto, não elegeu os seus deputados para isso».
GM

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