Calafrio estreia esta noite nova produção no TMG

Teatro do Calafrio estreia esta noite no Teatro Municipal da Guarda (TMG) “Diário de um louco”, de Nicolai Gogol, a sua quarta produção, depois de apresentar textos de Kafka (Mas era proibido roer os ossos), Tchekhov (Empresta-me um revólver até amanhã) e Melville (Bartleby). Luciano Amarelo, no papel de Aksénti Ivánovitch, e Élia Fernandes, no de Mavra, sobem ao palco do Pequeno Auditório pelas 21h30 para apresentar a peça, com encenação de Américo Rodrigues e Dramaturgia de Américo Rodrigues e Luciano Amarelo, que irá estar em cena no mesmo local e à mesma hora nos dois dias seguintes.

A peça tem música original (piano ao vivo) de Élia Fernandes, desenho de luz de José Neves, operação de luz de João Paulo Neves e fotos de cena, teaser e apoio técnico de Alexandre Costa.
«“(…) O herói, o eterno funcionário miserável de Gógol, assume em Diário de Um Louco, apesar e, talvez, por causa do delírio psicótico em que…se refugia, contornos muito humanos e comoventes. Como sempre, a arte gogoliana de misturar o real e o fantástico, o normal e o patológico, o razoável e o delírio, imperam em Diário de Um Louco, a ponto de o leitor se sentir desconfortavelmente a assistir ao sofrimento de um ser humano a quem a identidade se vai estilhaçando com a rapidez e a intensidade de um pequeno conto”», escreve Filipe Guerra, citado na agenda cultural do Teatro Municipal da Guarda (TMG).
«“(…) Eis Diário de Um Louco, sonho monstruoso, grotesco, estranho e caprichoso do artista, brincadeira bondosa sobre a vida e o homem, sobre o homem miserável e a vida miserável (…) mas ainda estamos a rir-nos do desgraçado simplório e já o nosso riso se dilui na amargura (…)”», nas palavras de Vissarion Belínski, igualmente citado no documento.
Nicolai Gogol é um escritor russo nascido a 31 de Março de 1809, em Mirgorod, na Ucrânia. Aos 19 anos instalou-se em Sampetersburgo, tentando seguir uma carreira literária e conseguindo apenas um posto de funcionário e, depois, de professor de História. Escreve contos baseados nas recordações da Ucrânia e reúne-os sob o título de “Os Serões na Herdade perto de Dikanka” (1831). Estas narrativas acumulam personagens e situações cómicas, detalhes realistas e ingénuos, e trazem rapidamente a celebridade ao autor.
Continua com “Mirgorod” (que inclui uma curta primeira versão de “Tarass Bulba”) e “Arabescos” (1835). A novela “O Capote”, que Dostoievski considera estar na origem do romance russo, foi publicada em 1842. A peça “O Inspector Geral” satirizava a burocracia corrupta da época, o que veio a provocar grande controvérsia.
Gogol parte em viagem e durante esse período (1836-48) inicia “Almas Mortas” (1842), uma sátira realista, que mais uma vez gera polémica.
Procura explicar-se em “Trechos da Correspondência com os Amigos” (1847), revelando afinal um espírito conservador, o que vai ser totalmente incompreendido pela geração que o via como um pioneiro de um tempo novo. Entretanto abandona-se a uma crise espiritual que o conduz à renúncia e ao ascetismo.
Morre a 4 de Março de 1852, pouco tempo depois de ter queimado a segunda parte de Almas Mortas.
Considerado um precursor do romance realista na Rússia, a sua obra atinge igualmente o domínio do poético, do lírico, do fantástico e do irracional, resume o Teatro do Calafrio em nota de imprensa.
«Há 50 anos Jacinto Ramos estreava “Diário de um louco” em Portugal, numa encenação de Jorge Listopad com música original de Jorge Peixinho», recorda, justificando a decisão em dedicar «a sua montagem de “Diário de um louco” ao grande actor português Jacinto Ramos (que era originário de Trancoso)».
O Teatro do CalaFrio é um projeto teatral, nascido na cidade da Guarda, que reúne criadores de diversas áreas artísticas, com larga experiência no teatro, na literatura e na música. Pretende fazer um teatro em que a palavra seja fundamental. A sua primeira produção intitulou-se “Mas era proibido roer os ossos”, a partir de dois textos de Franz Kafka, e estreou em Abril de 2014 no Teatro Municipal da Guarda.

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