Câmara da Guarda acusa movimento de cidadãos de «bloquear» obra importante

O Tribunal Administrativo de Castelo Branco deverá decidir nos próximos dias sobre a providência cautelar interposta por um grupo de cidadãos que travou o inicio das obras de requalificação do Parque Municipal da Guarda. As obras já deveriam ter começado, mas o procedimento apresentado naquela estância judicial impediu o arranque dos trabalhos. O presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro, disse, na semana passada em conferência de imprensa, esperar que o tribunal dê razão aos argumentos apresentados pela autarquia e que decida «em conformidade com aquilo que é bom para a Guarda».
O autarca considerou que se trata de uma «rasteira à Guarda» porque a providência abrangeu toda a obra em vez de incidir apenas sobre o abate das árvores. Amaro esclareceu que está previsto o abate de 23 árvores em 1098 que existem no Parque. «Algumas delas estão podres na raiz até à copa. E outras não estando estão a prejudicar ambientalmente o parque», justificou. «Se as pessoas estão preocupadas, se estivessem verdadeiramente preocupadas com 23 árvores em 1.098, a providência cautelar era por causa das árvores e não sobre a obra toda», criticou. «E é por isso que eu digo que isso é uma política da rasteira, é para tentar bloquear mais uma obra importante para a cidade da Guarda, porque não há ninguém, creio eu, que seja contra a requalificação de um parque da cidade para o devolver à cidade para que ele possa ser usado por todos», justificou. «Estas pessoas querem bloquear as obras. Não querem que o parque seja usado pelas pessoas e pelas crianças em segurança».
Álvaro Amaro lamentou a atitude do grupo de cidadãos, por ter agido apenas depois da obra ter sido adjudicada. O autarca reconhece que se levantaram dúvidas na apresentação do projecto, mas depois ficaram «calados». «Ninguém fez nada. Deixaram que a obra fosse consignada», censura. O autarca argumentou que a Câmara não estava obrigada a apresentar o projecto, «bastaria receber o projecto e aprová-lo». «Quisemos espicaçar a cidade. A Guarda nem sequer estava habituada a esta transparência», disse lembrando a sessão pública onde foram apresentados os projectos de requalificação do eixo central da cidade. Agora, o autarca considera que a Guarda está a ser motivo de «chacota» com repercussões a nível nacional. «Não gosto que se riam da Guarda. É a chacota».
O movimento lançou uma petição pública na internet, que ao fecho desta edição tinha mais de 1100 subscritores e agendou para a passada Terça-feira um debate público sob o tema “Salvem as árvores do Parque Municipal”, realizado no Paço da Cultura. O autarca disse ter conhecimento da iniciativa porque foi feito o pedido do espaço, explicando que o município não foi convidado para participar e que também não se iria fazer representar, argumentando estar num processo de «litigância» que considera «injusta e absurda».
Recorde-se que o movimento de cidadãos anunciou que a providência cautelar foi «a única solução viável para parar o processo e estender o prazo para uma discussão que nunca foi efectuada» sob pena da cidade ficar privada «de um valioso património por uma opção estética questionável por parte de um grupo de arquitectos que, com certeza, não fruem nem conhecem a fundo» o parque municipal e nem a Guarda.
As obras de requalificação do Parque Municipal foram adjudicadas à empresa Tomé Saraiva por 254 mil euros mais IVA. Serão derrubadas as barreiras no perímetro e eliminadas as duas portas de entrada. O espaço terá vigilância 24 horas por dia.

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