Câmara da Guarda assina memorando de entendimento para cedência do antigo matadouro

Foi assinado esta tarde o memorando de entendimento entre a Câmara da Guarda e a MedCapital e o Hospital Terra Quente para a cedência de terrenos do antigo matadouro para a construção de uma «unidade hospitalar» e uma «residência sénior». O contrato, que ainda está a ser preparado, prevê a cedência em regime de direito de superfície daquele espaço, por um prazo de 50 anos, para a construção de uma «unidade hospitalar» e uma «residência sénior» com o pagamento de 11 mil euros anuais ao município. Os dois parceiros deste projecto prevêem que a obra, orçada em cerca de dez milhões de euros, comece em 2022 e esteja concluída no primeiro semestre de 2024. O memorando tem as assinaturas do autarca Carlos Chaves Monteiro e de Simão Vital (MedCapital) e de Manuel José Lemos (Hospital Terra Quente).

De acordo com o documento, a que o TB teve acesso, o projecto inclui «uma unidade hospitalar destinado a proporcionar uma oferta multidisciplinar, com uma forte componente ambulatória de consultas», «oferta completa de imagiologia», «exames de diagnóstico de várias especialidades» e ainda de «atendimento urgente, bloco operatório e internamento com cerca de 10 a 20 camas».

É referido ainda na proposta que «estima-se que o investimento nesta unidade hospitalar criará directamente cerca de 180 postos de trabalho» e prevê-se que «tenha capacidade para atendimento de 400 a 500 utentes por dia». Relativamente à residência sénior, «contará com 80 camas e com um centro de dia com capacidade para 20 a 30 utentes».

De recordar que a proposta de cedência do terreno do antigo matadouro foi aprovada, por maioria, com os votos contra do eleito do PS, Manuel Simões, e do vereador e ex-vice-presidente Sérgio Costa. Ambos ainda chegaram a pedir para que o ponto fosse retirado da Ordem de Trabalhos para ser discutido apontando falta de transparência mas o presidente, Carlos Chaves Monteiro, não cedeu e o ponto foi aprovado apenas com os três votos dos eleitos pelo PSD. Tanto a vereadora da maioria, Cecília Amaro, como Cristina Marques, do PS, não participaram na reunião alegando realização de exames médicos e motivos de saúde, respectivamente.

Para o presidente da autarquia, o hospital privado significa «um reforço na prestação de cuidados de saúde» com a criação de postos de trabalho, mas para o PS e para o vereador independente é um negócio que pode ser nocivo para o interesse público.

O socialista Manuel Simões defendeu «um amplo debate» sobre o assunto, considerando que o negócio pode ser «nocivo» para o município. E questionou o presidente da Câmara sobre o facto de terem sido consultados mais operadores para o investimento e qual é o portefólio da empresa em causa.

Já o vereador independente Sérgio Costa considera poder ser um «negócio ruinoso» e que «marcará pela negativa a governação do presidente da Câmara». «O senhor presidente quer deixar a sua marca, a marca dos interesses privados a sobreporem-se aos interesses públicos, a qualquer preço, ou então não saberemos se existirá aqui algum outro interesse, ou mesmo peculato», apontou Sérgio Costa. Disse ainda que «estranha a pressa» na aprovação da proposta a 30 dias das eleições «sem que haja um compromisso escrito, real e concreto do número de postos de trabalho a criar, sem discussão pública, sem concurso público, sem discussão no seio da Assembleia Municipal, sem auscultação a qualquer outra».

Sérgio Costa apontou ainda que «as notícias em relação à empresa de fundos privados e à empresa da área da saúde com a qual o presidente está a querer fazer negócio, não são as mais benéficas». E pediu que Carlos Chaves Monteiro respondesse se foi feito algum estudo de mercado; se foram consultadas empresas locais ou outras que possam estar interessadas neste negócio e como é que se chegou ao valor acordado do negócio.

O presidente da Câmara respondeu directamente ao vereador Manuel Simões ao mesmo tempo que ia tecendo considerações sobre a intervenção de Sérgio Costa, que acusou de ter feito «um julgamento de carácter». Falou ainda «em mente conturbada» e «visão redutora».

Sobre a proposta, o autarca garantiu que «não há qualquer lesão» e que estão «salvaguardados os direitos da autarquia». E questionou se «há algum problema em a Guarda ter um hospital privado à semelhança do que já sucede noutras localidades vizinhas, como a Covilhã e Viseu. E argumenta que o papel da autarquia é «criar condições para que os privados invistam no território». Diz «não compreender a argumentação», tanto mais que para além da criação de postos de trabalho será requalificada uma zona que se encontra devoluta há mais de 30 anos. Aos jornalistas, Carlos Chaves Monteiro manifestou-se disponível para divulgar o projecto, argumentando que o processo está na fase inicial e que a proposta representa uma manifestação de vontade dos parceiros em investir.

Sobre as notícias de casos na justiça que têm surgido sobre a operador e a empresa de fundos envolvida na proposta, o autarca garantiu que se «a empresa não tiver idoneidade o contrato não se fará». «Não vou julgar antes do tempo, porque à justiça o que é da justiça, mas se houver factos que atinjam a idoneidade da empresa, a Câmara será a primeira a não querer contratar».

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close