Câmara da Guarda questiona Protecção Civil sobre o incêndio do Rochoso

«Verdadeiramente in-compreensível» é como a Câmara da Guarda considera o que se passou no combate aos incêndios florestais que na semana passada deflagraram em várias freguesias do concelho e se alastraram a concelhos vizinhos. A autarquia fala em falta de coordenação e diz não entender o motivo pelo qual não foi convidada para o “briefing” que foi realizado no posto de comando. Arderam mais de 8 mil hectares no incêndio que teve início na aldeia do Rochoso.

Gabriela Marujo
gabmarujo.terrasdabeira@gmpress.pt

A Câmara da Guarda consi-dera «verdadeira-mente incompreensível» o que se passou no combate aos incêndios florestais que na semana passada deflagraram em várias freguesias do concelho e se alastraram a concelhos vizinhos. Numa carta endereçada ao comandante distrital de operações de socorro da Autoridade Nacional da Protecção Civil, António Fonseca, dada a conhecer na reunião de Câmara desta Segunda-feira e que mereceu a concordância dos vereadores socialistas, Joaquim Carreira a Graça Cabral, a autarquia começa por mostrar a sua apreensão quanto à escolha do local onde foi instalado o posto de comando. Em seu entender, das duas uma: «Ou o Comando chegou tarde e já o fogo estava perto da Cabreira (Almeida) sendo então aí instalado, ou o Comando “chegou a horas” e não se entende a sua localização».
«Mas o que se passou nas 24 horas subsequentes à visita do Sr. Secretário de Estado da Administração Interna [Jorge Gomes] e que pude [Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda] acompanhar, é verdadei-ramente incompreensível», lê-se na carta, que «não é mais do que a expressão de protesto em meu nome, dos presidentes de junta e de tantos e tantos homens e mulheres das várias aldeias que me manifestaram a sua apreensão pela falta de coordenação no terreno».
Não é tudo. O presidente da autarquia quer saber qual razão de nem ele nem Sérgio Costa, responsável pelo pelouro da Protecção Civil, terem sido convidados para o “briefing” que se terá sido realizado dia 18 do corrente com os serviços desconcentrados do Estado e com os presidentes de câmara dos concelhos afectados pelos incêndios florestais. «Não se compreende, mas muito menos se compreende o que se passou no terreno naqueles dias terríveis para toda aquela população», conclui a carta.
Ainda sobre a questão dos incêndios, Álvaro Amaro revelou, em declarações aos jornalistas, ter tido uma reunião na passada Sexta-feira com representantes dos serviços desconcentrados do Estado, presi-dentes de juntas das freguesias afectadas e GNR para, «com todo o cuidado para não criar falsas expectativas, ser feito o levantamento dos prejuízos causados pelo fogo na tentativa de aproveitar o programa específico de apoios às pessoas e empresas afectadas pelo fogo».
Os prejuízos provocados pelos incêndios florestais que atingiram na passada semana mais de metade dos 14 concelhos do distrito da Guarda ainda não estão contabilizados. Os municípios estão no terreno a fazer o levantamento mas as primeiras previsões apontam, para já, danos significativos no concelho de Almeida.
A Câmara agendou uma reunião para o final da tarde desta Terça-feira com um representante de cada uma das povoações afectadas, «que são muitas», para uma primeira avaliação. Seguir-se-ão reuniões sectoriais, nomeadamente com os agricultores, como adianta o presidente, Baptista Ribeiro, que coloca a hipótese de activar o Fundo de Emergência Municipal. Para já, o autarca destaca dois casos mais graves, um no Freixo e outro na Cabreira, «mas haverá outros». «Isto tem que ser tudo avaliado e darmos prioridade àquelas [situações] que são mais graves», conclui.
Em Pinhel e no Sabugal, concelhos por onde alastrou o incêndio que teve início no Rochoso, na Guarda, Rui Ventura e Vítor Proença, res-pectivamente presidente e responsável da Protecção Civil naquelas autarquias, ressalvam que o levantamento está a ser feito mas que tudo aponta para que não haja grandes prejuízos.

Arderam mais de 8 mil hectares na Guarda
O incêndio começou na tarde de Segunda-feira da semana passada no Rochoso, na Guarda, e progrediu para os concelho de Almeida, Pinhel e Sabugal. Foi o que envolveu mais meios: 647 operacionais e 206 veículos. As chamas obrigaram ao corte da A25 e da EN 16, entre a zona de Vilar Formoso e Guarda, à interrupção da circulação ferroviária na Linha da Beira Alta, entre Guarda e Vilar Formoso, e ao condicionamento da circulação rodoviária na estrada que faz a ligação entre Alto de Leomil, Parada (ambas no concelho de Almeida) e Cerdeira (Sabugal).
No dia seguinte, pelas 14h37, deflagrou um incêndio em Ribamondego (Gouveia), que atingiu os concelhos de Fornos de Algodres e Celorico da Beira. Foi combatido por 210 operacionais e 62 veículos.
Em Freixo de Numão (Vila Nova de Foz Côa), nesse mesmo dia, o fogo era combatido por 117 operacionais e 35 meios terrestres. Foi necessário condicionar o trânsito, em dois troços, da EN324.
Contas feitas, estiveram envolvidos no combate a estes três grandes incêndios rurais que deflagraram no distrito da Guarda, e que foram dados como dominados Quarta-feira da semana passada, 942 bombeiros auxiliados por 294 viaturas.
No dia seguinte, dados provisórios do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, revelados pela TSF, indicam que o fogo que atingiu a Guarda foi o que afectou mais área nessa semana, num total de 8147 hectares. Seguem-se os incêndios de Alijó (5597), Fornos de Algodres (3400), Freixo de Espada à Cinta (2382), Torre de Moncorvo (1909) e Vila Nova de Foz Côa (1760).
Tanto o município de Fornos de Algodres como o de Foz Côa ainda estão a fazer o levantamento mas os presidentes, Manuel Fonseca e Gustavo Duarte, crêem que os prejuízos não serão muito signifi-cativos.
Luís Tadeu prefere aguardar pelos resultados do levantamento mas, para já, sabe-se que no concelho de Gouveia existem prejuízos significativos no sector agrícola. O caso «mais extremo», e que necessitou de resolução urgente, foi de um pastor que ficou sem o armazém onde guardava um rebanho de 300 ovelhas, que a autarquia teve que alojar provisoriamente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close