Censos de 1920 revelaram que cerca de 76% da população do distrito da Guarda não sabia ler

Já está a decorrer a Operação Censos 2021, coordenada pelo Instituto Nacional de Estatística. A população tem até 3 de Maio para enviar as respostas. A propósito dos censos, o TB foi consultar o sexto recenseamento nacional realizado há cem anos, em Dezembro de 1920, cujos resultados da população existente viria a ser diferente do que era inicialmente calculado «devido a duas causas principais: a epidemia da gripe pneumónica em 1918 e a guerra», como é referido no documento.

Outro facto curioso é que, embora a consulta à população tenha sido feita em Dezembro de 1920, os primeiros «processos censuários» só começaram a chegar à Direcção Geral de Estatística em Março do ano seguinte. Como se pode ler no documento, a falta de compreensão e de interesse por parte de alguns organismos locais, bem como a «deficientíssima e antiquada aparelhagem da Direcção Geral de Estatística, foram algumas das razões apontadas para o atraso na conclusão dos resultados, tendo sido mesmo sugerido que deveria repetir-se o processo em determinadas localidades.

Também é referido que «no distrito da Guarda, na maior parte dos concelhos os serviços correram regularmente, tendo as respectivas comissões procurado com o seu esforço e trabalho eliminar as omissões que se notam nalguns boletins. Em Vila Nova de Foz Côa, porém, o serviço executado fora dos prazos foi apresentado bastante incompleto e mal organizado».

Esta e outras situações atrasaram o processo e fizeram com que fosse necessário dividir a publicação dos resultados dos censos em dois volumes, um que saíu em 1923 e o outro dois anos depois. No primeiro volume, é possível verificar que a população recenseada em 1920 era de 6.032.991 habitantes, ou seja, menos 72.935 do que em 1911. «Como a população calculada para 1920 é de 6.420.340 habitantes, temos um “déficit” de 387.349 habitantes», salienta o documento, justificando que «este facto é, como se sabe, devido a duas causas principais: a epidemia da gripe pneumónica em 1918, e a guerra».

As quedas da população portuguesa, no Continente, segundo os Censos de 1920, «acentuaram-se principalmente nos distritos de Bragança, Vila Real, Guarda, Viseu e Faro», comparativamente a 1911. No distrito da Guarda, em 1920 havia 256.243 habitantes (7.662 homens e 7.336 mulheres), menos 5,7 por cento do que havia dez anos antes. A percentagem de analfabetos no distrito era de 75,93, correspondendo a 194.572 habitantes (81.640 homens e 112.932 mulheres). Nessa altura apenas 51.671 pessoas (37.565 homens e 24.106 mulheres) sabiam ler.

No “II Volume” dos Censos de 1920, encontram-se os apuramentos por distritos e concelhos dos cegos, surdos-mudos, idiotas e alienados. (Notícia completa na edição desta semana do Jornal Terras da Beira)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close