Censos, Rutura, Deputados

Com a divulgação dos resultados do último censo populacional, veio-se confirmar o que já se esperava, o que já estava à vista de todos. A crueza dos números, confirmou a diminuição populacional, evidenciou o continuado esvaziamento do interior do país. Agora denominam de Territórios de Baixa Densidade. Em gramática somos muito bons, assim o fossemos a utilizar os nomes portugueses, evitando termos de origem estrangeira. Adiante…

A terciarização continua a dar grandes passos, com a agravante de deixar de haver população de retaguarda que alimentava o dito desenvolvimento das áreas metropolitanas.

Cada nação é e será o que for o seu povo, as suas gentes e será com este e fundamentalmente por este, que se conseguirá o desenvolvimento com o consequente aumento de qualidade de vida. Será o momento de voltar a ler Vitorino Magalhães Godinho, nos seus estudos de História.

Tiveram-se todas as condições. Vida e gestão democrática, acompanhada do dispêndio da pesada herança, secundada por verbas fantásticas vindas da Comunidade Económica Europeia.

O que falhou, porque mais uma vez o povo português teve de procurar vida noutras paragens, emigrar, quer interna, quer externamente? Que desenvolvimento para o país, totalmente desequilibrado, com o interior bastante envelhecido em vias de quase despovoamento total?

Não é certamente, por vontade própria que se abandona a terra que nos viu nascer. Mais uma vez, por deficientes condições de vida, desemprego ou salários baixos até para pessoas com formação superior, o interior foi sendo deixado para trás. Não há empregos, e os poucos que aparecem, os salários é o que se vê, não dão para uma vida digna.

Foi a incapacidade dos que mandam, da classe política, dos governantes, que não conseguiram encontrar e apresentar soluções para que a geração melhor preparada que alguma vez o país teve, se viu obrigada a procurar sustento de vida por outras paragens, com vários inconvenientes, evidenciados na análise dos resultados do censo populacional.

Será que agora, perante a crueza dos números, se irá fazer algo que terá de ser diferente do que se fez até aqui, uma rutura total?

Que tal começar pelos membros do mais alto órgão da nação, que é a Assembleia da República, os deputados, cuja eleição se aproxima a passos largos, num ambiente dominado por outros temas?

Atualmente a representatividade é baseada mais na população do que no território. Os grandes centros urbanos elegem a maiorias dos deputados. Lisboa elege o maior número com 48 deputados, Portalegre elege só 2 e a Guarda elege 3. Mais uma situação só a favor dos poderes instituídos, neste caso, os partidos políticos. Para conseguir eleger os principais pares nem precisam de conhecer o território, de o percorrer nem que seja de quatro em quatro anos, de senti-lo. Agem como a classe nobre do antigamente, que da província só vinham para arrecadar os proventos. Bendito tempo dos Filipes que quase que obrigou, pelo menos motivou, o regresso às suas terras de origem.

Haverá mínimos a respeitar. Cada círculo eleitoral, cada distrito, deveria ter um número mínimo de representantes, de deputados eleitos. Distritos representados por dois deputados, por melhor que sejam, jamais poderão fazer um trabalho suficiente em prol do território que representam. Perde um, perdem todos.

A propósito, já foi contabilizado qual o ganho obtido com a extinção dos Governos Civis e o que se seguiu?

Monotorização, estudo e análise das situações, precisa-se.

Assuntos a apresentar aos candidatos ao próximo ato eleitoral.

Em contraciclo um acontecimento digno de destaque. Com a pandemia, com a paragem parcial do pais, o volume de depósitos na banca atingiu valores máximos, logo a riqueza é maior. O que se passa? Geramos mais riqueza em tempos de crise?

É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que num dado momento, a tua fala seja a tua prática”, Paulo Freire

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