(C)ertamente (O)utra (V)ida (I)niciará (D)epois de 2021

À data em que este artigo sair para a rua, já terão sido administradas as primeiras vacinas contra a Covid-19 na ULS da Guarda. Efectivamente, estava previsto que o arranque da operação nesta unidade de saúde começasse a 29 de Dezembro, dois dias depois do início da vacinação em Portugal.

Quis quem manda que as primeiras unidades fossem administradas, primeiramente, em 5 grandes centros hospitalares do litoral, designadamente em Lisboa, Porto e Coimbra, ficando o resto do país para depois.

Obviamente que, do ponto de vista prático, este desfasamento de dois dias, entre o início da vacinação nas referidas grandes unidades da beira-mar e as suas congéneres no interior, não gera qualquer vantagem para as populações abrangidas pelas primeiras em detrimento das segundas, no entanto, do ponto de vista simbólico tem muito que se lhe diga.

Em Março do presente ano, a ULS da Guarda, mais concretamente o Hospital Sousa Martins (HSM), fez parte de um grupo inicial de 8 hospitais de referência, disponíveis para o estudo de casos suspeitos e tratamento dos infectados com a Covid-19, muito por força da adequação e qualidade das instalações e equipamentos existentes no novo hospital, da capacitação do seu Laboratório de Patologia Clínica e do reconhecimento da competência técnica e profissionalismo dos seus recursos humanos. Na altura, instituições hospitalares de elevado gabarito como o Santa Maria, em Lisboa ou o Santo António, no Porto, entraram ao mesmo tempo que a Guarda para este restrito grupo de hospitais, sendo que Coimbra, cidade da saúde, estava aqui representada pelo Hospital Pediátrico. Importa referir que, desses 8 hospitais, 7 estavam sedeados nas 3 grandes cidades do litoral, sendo o hospital da Guarda, meritoriamente, o único embaixador de uma larga e esquecida faixa de território, que vai de Viana do Castelo a Faro.

Como tal, simbólica e moralmente, fazia todo o sentido que o HSM fosse um dos contemplados do primeiro dia de vacinação, até porque, era um sinal de reconhecimento, mas também de alento, que o Ministério da Saúde demonstrava ter por todos os profissionais que, muitas vezes sem meios e à custa de um elevadíssimo sacrifício pessoal, conseguiram conter e minimizar possíveis surtos infecciosos, em territórios onde a predominância de idosos é muito elevada, como é o caso da área de abrangência da ULS Guarda.

Em todo o caso e como as pessoas têm diferentes prioridades, há quem prefira apostar num aparato desproporcionado e num trabalho propagandístico ao mesmo nível, como televisivamente se observou aquando da entrega do primeiro lote de vacinas no Hospital de São José. Já vi altos dignitários internacionais, com menos escolta policial em climas hostis!

Gracejos à parte, uma coisa é certa: o início da vacinação abre sem dúvida uma porta de esperança para todos nós e certamente contribuirá para que o futuro se aproxime cada vez mais da normalidade a que estávamos habituados antes desta pandemia.

*O autor escreve ao abrigo dos antigos critérios ortográficos.

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