Ciclo “Relavrar” leva Omiri e A Charanga ao Teatro Municipal da Guarda

Esta Sexta-feira o Teatro Municipal da Guarda (TMG) recebe a primeira actividade do “Relavrar”, «ciclo que atravessa toda a programação» daquele equipa-mento cultural para os últimos meses de 2016. Trata-se de um espectáculo musical a cargo de Omiri, a ter lugar a partir das 22h00 no Café Concerto.
«Para reinventar a tradição, nada melhor que trazer para o próprio espectáculo os verdadeiros intervenientes da nossa cultura; músicos e sons de todo o país a tocar e a cantar como se fizessem parte de um mesmo universo. Não em carne e osso mas em som e imagem, com recolhas transformadas e manipuladas em tempo real, servindo de base para a composição e improvisação musical de Vasco Ribeiro Casais», lê-se na agenda cultural. «Também se propõe um baile onde todos os temas tocados são dançáveis, segundo o ritmo e o balanço das danças tradicionais e não só (Repasseados, Drum’n’bass, Malhões, Viras, Break Beat, Corridinhos…), acrescenta.
Omiri é, termina a agenda, «acima de tudo, remix, a cultura do século XXI, ao misturar num só espectáculo práticas musicais já esquecidas, tornando-as permeáveis e acessíveis à cultura dos nossos dias, isto é, sincronizando formas e músicas da nossa tradição rural com a linguagem da cultura urbana. Em Omiri a música e cultura portuguesa é rica e gosta de si própria».
O ciclo prossegue no dia seguinte, a partir das 21h30, no Pequeno Auditório com A Charanga, «projecto de música electrónica fortemente ligado às raízes da cultura popular portuguesa, mais concretamente à folk nacional». «Ao mesmo tempo que utiliza computadores, beatboxes, sintetizadores, ferramentas virtuais e influências musicais globalizadas, utiliza também o bombo, a gaita-de-foles, o violino, os adufes e as construções melódicas, harmónicas e rítmicas do cancioneiro tradicional. Charanga é música e performance, portuguesa e internacional, moderna e antiga, revolucionária e tradicional, rural e cosmopolita, analógica e digital, festiva e introspectiva, orgânica e maquinal», refere a agenda.
O grupo é constituído por Francisco Gedeão, Alberto Baltazar e Quim Ezequiel, que se conheceram «no 14º Festival de Grupos Folclóricos de Freixo-de-Espada-à-Cinta». «Alberto tinha conseguido uma extraordinária máquina moderna de fazer música e viu em Francisco um companheiro com quem partilhar o segredo. Quando experimentavam o objecto avançado, Quim passava pelas redondezas, com sua Gaita-de-Fole, e, incontrolavelmente atraído pelos sons da máquina, deu consigo numa cave escura, longe de olhares críticos, com dois estranhos hipnotizados pelo processo criativo», recorda a banda no seu Facebook. «Desde então tocam juntos, evangelizando o povo com a sua mensagem transtemporal», conclui.
«Os últimos anos têm sido excepcionalmente criativos no que diz respeito à nova música de raiz tradicional», afirma o TMG na agenda cultural. «Bandas e músicos da nova geração, com experiências musicais muito diferentes, começaram a olhar de maneira diferente para a herança tradicional portuguesa e até do mundo. A partir de felizes exemplos como o dos Gaiteiros de Lisboa, numa faceta, ou de João Aguardela noutra, estes novos músicos procuram a tradição musical do mundo rural para a refazer numa nova identidade, muitas vezes com o recurso a estilos musicais urbanos (jazz, electrónica, rock, pop, blues, erudita). Desta fusão de experiências estéticas surgem originais abordagens à música de origem tradicional», concretiza. Explicando que «“Relavrar” significa “lavrar outra vez a terra”, a terra original, mas com contributos novos capazes de a transformar e de a reinventar, dar-lhe sangue novo e revitalizante».
O ciclo “Relavrar”, do qual fazem parte concertos, filmes, oficinas e tertúlias e que pretende «dar a conhecer a nova geração da música tradicional popular portuguesa», terá continuidade no primeiro trimestre de 2017, adiantou o programador cultural do TMG, Victor Afonso, na conferência de imprensa de apresentação da agenda para os últimos quatro meses de 2016.

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