Clubes podem ser obrigados a ter policiamento

A Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) exige policiamento obrigatório em todos os jogos mas, para já, o assunto ainda tem de ser debatido com a Federação Portuguesa de Futebol e associações distritais, o que pode acontecer em breve. O presidente da Associação de Futebol da Guarda, Amadeu Poço mostra-se cauteloso a falar do assunto e diz que «ainda não é altura de tomar decisões até porque o distrito é um dos três onde há menos registos de incidentes». Com a época já numa fase avançada, as medidas só deverão ser implementadas na próxima temporada.

Faustino Caldeira
fcaldeira@gmpress.pt

O presidente da Associação de Futebol da Guarda (AFG), Amadeu Poço, garantiu a este semanário que «até ao final da época não deverá haver alterações significativas no policiamento aos jogos dos campeonatos distritais».
A reacção do dirigente surge depois da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) ter anunciado que vai pedir policiamento para os jogos de todos os escalões, de forma a garantir a segurança dos agentes de arbitragem.
O anúncio foi feito pelo presidente da APAF, Luciano Gonçalves, após uma reunião de mais de duas horas e meia na Batalha, no distrito de Leiria, que juntou 37 árbitros e 26 núcleos nacionais para discutir o aumento das agressões a agentes de arbitragem nas mais diversas competições de futebol e futsal.
Confrontado com o assunto, Amadeu Poço referiu que «ainda não é altura de tomar decisões, não tem havido incidentes e os que têm surgido têm sido resolvidos». «Vamos analisar o assunto com o Conselho de Arbitragem mas também é do conhecimento geral de que as associações da Guarda, Lisboa e Viana do Castelo são as que têm menos problemas». Amadeu Poço acrescentou ainda que «se houver jogos decisivos onde o policiamento não é obrigatório, a AFG pode obrigar a que haja policiamento, mas isso é normal. A Associação só deverá pronunciar-se em relação a isso depois da Federação Portuguesa de Futebol tomar uma decisão e, em breve, a FPF vai reunir com a APAF e com o Ministério da Administração Interna, que até há bem pouco tempo pagava o policiamento na totalidade e agora apenas uma parte».
O responsável pelo futebol distrital sublinhou que «se o policiamento for obrigatório para todos os jogos em todos os escalões não há polícias suficientes».
Actualmente, no distrito da Guarda, em jogos de seniores, um clube pode pagar entre 90 a 120 euros pelo policiamento dos encontros, quer seja através da PSP ou militares da GNR. No caso dos jogos organizados pela AFG, como é o caso das finais das taças, muitas das vezes nem há policiamento e, no caso da final da Taça de Honra de seniores, o custo é suportado pelo Município que recebe o jogo. Amadeu Poço realçou ainda que tem de ser resolvida a questão com o Ministério da Administração Interna porque os clubes pagam à PSP ou GNR e não sabem quando é que vão ser reembolsados porque o Ministério paga aos clubes muito depois dos clubes pagarem».
Entretanto na reunião da APAF, que decorreu em Batalha, o presidente da Associação dos Árbitros, Luciano Gonçalves referiu que «a principal exigência é o policiamento em todos os escalões para que os árbitros se sintam seguros e fique sempre salvaguardada a verdade desportiva em todos os jogos».
O dirigente adiantou ainda que a APAF vai solicitar reuniões com carácter de urgência à Federação Portuguesa de Futebol, Liga Portuguesa de Futebol Profissional e associações distritais para apresentar a sua proposta.
«Os árbitros para puderem desempenhar as suas funções de uma forma tranquila precisam de segurança como qualquer um de nós nas nossas actividades e profissões. Precisam de estar tranquilos, é isso simplesmente que a arbitragem pede», sublinhou Luciano Gonçalves.
Apesar de dizer que todos os cenários estão em cima da mesa, o presidente da APAF salientou que a principal medida é o diálogo, acreditando que assim vão conseguir as suas exigências, «que são mais do que óbvias e claras».
Quanto aos custos resultantes do policiamento em todos os escalões, Luciano Gonçalves disse que devem ser suportados pelos clubes e, em maior percentagem, pelo Ministério da Administração Interna.
«Será que algum custo paga o que os árbitros têm estado a sofrer nestes meses», questionou o dirigente desportivo, considerando que foi “um erro” ter deixado cair em 2012 o policiamento obrigatório em todos os escalões.
Sem imputar responsabilidades ao Estado, o presidente da APAF diz que se vive um “clima de impunidade que nos deve envergonhar a todos” e apelou aos dirigentes dos clubes de futebol para que «dêem aos árbitros aquilo de que gostam e querem que os seus jovens jogadores tenham nos seus centros de treino».

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