Como vão os jovens viver quando velhos?

A (sustentabilidade da) Segurança Social tem estado na ordem do dia, sobretudo após o Primeiro-Ministro ter travestido uma diminuição real de rendimentos para os pensionistas em 2023 e 2024 como um apoio extraordinário em 2022.

A propaganda amassada em percentagens, levemente polvilhada de contexto internacional e apurada em lume brando pela iliteracia financeira foram a receita quase perfeita. Desta vez, a comunicação social, qual júri MasterChef, não foi benevolente.

Justificou-se António Costa dizendo que “transformar a inflação deste ano como um facto permanente na Segurança Social poria em causa a sustentabilidade”. Porém, a não ser que se verifique posteriormente deflação, para bem da Segurança Social ficarão mal os pensionistas, com menor poder compra face aos custos do dia-a-dia.

Este é o cenário a curto prazo, para os pensionistas de agora. Mas, os jovens que agora iniciaram a sua vida profissional – e contributiva – serão pensionistas num amanhã que parece longínquo, mas ao qual eventualmente chegarão.

E, nesse futuro, o cenário é ainda menos risonho. Luís Aguiar-Conraria, Professor de Economia da Universidade do Minho e colunista do Expresso, publicou na edição de 2 de setembro o artigo “Envelhecimento, Segurança Social e poupança”1 sobre esta confrangedora realidade.

A situação, de forma concreta, explica-se em poucas palavras. Segundo o artigo, em 2019 as pensões representavam, em média, três quartos do último salário. Em 2040 prevê-se que seja pouco mais de metade e em 2050 inferior a 50%. Para um jovem de 25 anos, que tem mais de quarenta anos de trabalho pela frente, as perspetivas são aterradoras. O caminho para uma terceira idade digna pode implicar colocar, desde já, algum de parte. Todavia, em Portugal e dadas as circunstâncias, poucos são os que conseguem poupar, sobretudo para precaver um horizonte tão intangível no agora.

Ainda assim, o artigo aponta algumas opções para jovens: colocar em conta-poupança prémios anuais, aumentos salariais ou devoluções de IRS. Até um tweet me ter chamado a atenção para este assunto, nunca tinha pensado sobre ele. Agora, terei de esclarecer umas dúvidas, fazer contas e eventualmente tomar algumas decisões.

P.S.1: O Presidente da República continua a sua onda de opções questionáveis, agora na esfera internacional. Esteve no funeral de José Eduardo dos Santos, um momento colado a umas eleições que se anteviam renhidas e tensas e cujos resultados ainda geram controvérsia. É relevante salientar que nenhum Chefe de Estado angolano compareceu às cerimónias fúnebres de Mário Soares ou Jorge Sampaio. Ademais, e sem grande surpresa, Marcelo Rebelo de Sousa irá também à tomada de posse de João Lourenço. O Presidente foi também o adereço útil da cerimónia dos 200 anos da independência do Brasil – mas utilizada como palco de campanha para Jair Bolsonaro – outro país umbilicalmente relacionado com Portugal que está também às portas de um período eleitoral que se antevê, como o angolano, renhido e tenso.

P.S.2: Nas últimas semanas celebraram-se os atos públicos de assinatura dos autos de transferência de competências da Câmara Municipal da Guarda para as quarenta e três juntas de freguesia do concelho (uff, fica-se ofegante a ler este enovelado de designações burocráticas).

Apesar de semelhantes a outros num passado recente (e aí em pleno período pré-eleitoral), alguns rasgam agora as suas vestes. Estas ações podem ser atacadas por servirem de propaganda ou subentenderem uma relação de subserviência. Não acredito, todavia, que assim seja. Acredito que são momentos de celebração de cada uma destas Freguesias e da sua autonomia, para além de constituírem um sinal claro de valorização e importância dos autarcas e gentes dos territórios que formam e moldam a identidade do nosso concelho.

Nesta linha, convém salientar a ligação sobejamente conhecida do atual edil, Sérgio Costa, às freguesias rurais, bem como o trabalho desenvolvido em prol das mesmas. Neste aspecto, e reiterando novamente a ideia de que estamos num ano zero dada a magnitude das mudanças eleitorais que observámos há perto de um ano, o lastro político do atual Presidente não pode ser utilizado apenas para o que corre menos bem.

Para terminar, e recuperando os resultados de há um ano, convém lembrar que o PG, no agregado de todas as freguesias rurais, obteve, para a Câmara Municipal, mais 563 votos que o segundo mais votado na contenda eleitoral. A diferença total foi de 601 votos.

¹https://expresso.pt/opiniao/2022-09-01-Envelhecimento-Seguranca-Social-e-poupanca-92caf14d

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close