Comunidade de Economia Cívica de Gouveia propõe “Hub Criativo” para fixar jovens

O desemprego, o despovoamento e a exclusão da terceira idade são alguns dos problemas que a Iniciativa para a Economia Cívica (IEC), câmaras municipais e outras entidades locais propuseram na passada semana combater através de projectos de inovação social.
No total, sete municípios – Lousã, Gouveia, Vila Velha de Ródão, Idanha-a-Nova, Fundão, Penela e Miranda do Corvo -, juntamente com mais de 160 entidades públicas, privadas e da área da Economia Social, apresentaram em Lisboa “projectos-bandeira” que pretendem lançar soluções inovadoras para problemas e desafios sociais.
A instalação de um “Hub Criativo” em Gouveia, que proporcione condições para a fixação de jovens naquele concelho do distrito da Guarda, é o projecto proposto pela comunidade local à IEC. «Pretende-se pois, instalar em Gouveia um “Hub Criativo”, que proporcione condições para a fixação de jovens criativos, que contribuam para a emergência de novos produtos e serviços, reinventando a história, ou seja, introduzindo no saber-fazer tradicional processos de inovação, que contribuam para o aumento da competitividade do concelho», disse à agência Lusa fonte do grupo de trabalho criado para o efeito.
Segundo a fonte, ao “Hub Criativo” estarão associadas entidades locais, regionais e nacionais, «que disponibilizarão um conjunto de serviços de apoio técnico a quem pretenda testar novos modelos de negócio associados aos activos do concelho». «Contudo, a montante desta iniciativa, é fundamental a capacitação de todos os envolvidos, assim como o desenvolvimento de políticas que atraiam novos públicos para o concelho», assinala.
No âmbito do projecto «pretende-se estabelecer protocolos com instituições de ensino, no sentido de se criarem sinergias entre o sistema científico e o mercado de trabalho, criando mais valor nos produtos e serviços prestados».
No dia 25 de Abril de 2015 foi constituída a Comunidade para a Economia Cívica de Gouveia, uma iniciativa que visa testar um novo modelo económico e social de base local, assente numa colaboração ativa entre entidades públicas e privadas, da economia social e da cidadania.
«Ao longo destes quinze meses, foi percorrido um caminho, onde se reflectiu acerca da realidade concelhia e se equacionaram diferentes formas de ultrapassar os constrangimentos existentes, nomeadamente a diminuição e envelhecimento da população (problema intrínseco a todo o Interior do país), através de um aproveitamento criativo dos recursos existentes», refere o grupo de trabalho.
A Comunidade para a Economia Cívica de Gouveia explica que «pretende criar um ambiente favorável à partilha de conhecimentos e experiências que se traduzam numa nova lógica económica e social». «Consideramos que este objectivo poderá ser alcançado através da concepção de um projeto que inclua um conjunto de iniciativas que mobilizem os ativos do concelho, em termos materiais e imateriais, em prol de um desenvolvimento sustentável», sublinha a fonte.
O grupo de trabalho criado em Gouveia abrange o município, a Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, a Associação de Beneficência Popular, o Agrupamento de Escolas, a Escola Profissional, a Agência para o Desenvolvimento de Negócios, Paulo Mota (empresário) e Sérgio Cipriano (representante do movimento de cidadania de Gouveia).

Ministra da Presidência e da Modernização Administrativa considera que os projectos dados a conhecer «são o exemplo daquilo que se pode fazer de maneira diferente»
Os projectos foram apresentados na semana passada numa cerimónia presidida pela ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, para quem estes projectos «são o exemplo daquilo que se pode fazer de maneira diferente, não desprezando as soluções tradicionais, mas potenciando outros caminhos que poderão ser sustentáveis e poderão trazer novas respostas para problemas que vão desde o envelhecimento da população ao desemprego jovem, ao insucesso escolar, à reinserção social, à reconstrução do espírito de comunidade».
Maria Manuel Marques frisou, contudo, que estas iniciativas «não são vistas por este Governo como uma oportunidade para se desresponsabilizar da resolução dos problemas que afetam a sociedade». «Não é esse o seu objectivo, não será essa a nossa linha de actuação. Temos uma tradição de muitos séculos de descentralização de respostas aos problemas da sociedade e queremos reforçá-la. Contamos com o saber de entidades como as misericórdias, as fundações, as instituições particulares de solidariedade social, as colectividades e com as autarquias», afirmou.
A governante aproveitou a ocasião para anunciar que as primeiras candidaturas para o programa Portugal Inovação Social abrem até ao dia 15 de Julho e apelou aos parceiros sociais para aproveitarem os fundos comunitários de 150 milhões de euros disponíveis.

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