Condutor da carrinha hospitalizado em unidade psiquiátrica

O condutor da carrinha envolvida no acidente de Quinta-feira que provocou a morte de 12 portugueses está hospitalizado numa unidade psiquiátrica e ainda não foi ouvido pelas autoridades, indicou hoje o Ministério Público de Moulins (centro de França).
O condutor de 19 anos, Ricardo Videira, natural de Carapito (concelho de Aguiar da Beira), sofreu uma fractura num pulso e é o único sobrevivente entre os ocupantes da carrinha envolvida no acidente, que ocorreu por volta das 23:45 de Quinta-feira na estrada nacional N79, perto da cidade francesa de Lyon, na localidade de Moulins.
Em estado de choque, o jovem foi admitido inicialmente nas urgências psiquiátricas de Moulins.
Na sexta-feira, o condutor foi transferido para uma outra unidade psiquiátrica naquela zona por “alguns dias”, explicou, em declarações à agência noticiosa francesa AFP, o procurador de Moulins, Pierre Gagnoud. Tendo em conta as circunstâncias, o jovem não deve ser ouvido pelas autoridades antes “do início da próxima semana”, indicou o magistrado. As autoridades francesas não revelaram a localização da unidade psiquiátrica.
Arménio Pinto, o proprietário da carrinha e tio do jovem, e que estava a fazer o mesmo trajeto da carrinha acidentada mas em outro veículo, também foi internado na mesma unidade psiquiátrica devido “a um choque psicológico”, acrescentou Pierre Gagnoud.
O veículo em que seguiam os portugueses saiu da Suíça por volta das 21:00 de Quinta-feira e tinha como destino a Portugal. As doze vítimas mortais, com idades entre os 7 e os 63 anos, morreram na sequência de um choque frontal entre a carrinha em que seguiam e um veículo pesado. A carrinha desviou-se para a faixa contrária e colidiu de frente com o camião.
A carrinha, do modelo Mercedes Sprinter, “não era um pequeno autocarro e não é adequada, por natureza, para o transporte colectivo”, recordou o procurador.
Os investigadores vão “reconstruir a carrinha a partir dos destroços” para tentarem determinar “se tinha sido construída especificamente para o transporte de pessoas”, o que parece “pouco provável”, precisou Pierre Gagnoud.
A outra hipótese é tratar-se “de uma adaptação artesanal, totalmente inadequada, com cadeiras dobráveis e com os passageiros sentados na parte de trás em assentos improvisados”, detalhou o magistrado.
O motorista italiano do veículo pesado envolvido no acidente já teve alta do hospital e foi ouvido na sexta-feira pelas autoridades francesas. O outro homem que seguia no camião foi operado na sexta-feira a um pulso e deverá ser ouvido durante o dia de hoje, segundo informou ainda o procurador.
Alguns familiares das vítimas começaram a chegar na sexta-feira a Moulins e outros são aguardados durante o dia de hoje.
Uma unidade de apoio médico e psicológico foi disponibilizada para os familiares das vítimas.
O ministro dos Transportes francês, Alain Vidalies, pediu entretanto prudência nas declarações feitas sobre o acidente, nomeadamente sobre as condições da estrada onde se deu o acidente.
A N79 é uma das estradas nacionais que compõem a Estrada Centro Europa Atlântico, um itinerário que atravessa a França de leste a oeste e que é conhecido como a “estrada da morte”. “As condições exactas do acidente não foram determinadas. As informações que disponho apelam à prudência sobre o papel da estrada. Existem perguntas legítimas sobre o veículo utilizado”, afirmou Alain Vidalies, em declarações à emissora RTL.

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