Condutor e proprietário de carrinha julgados «até final do ano»

Emmanuelle Fredon, procuradora da república de Moulins, em França, disse à agência Lusa que o condutor e o proprietário da carrinha, ambos naturais de Palhais (concelho de Trancoso), envolvida no acidente de viação em que morreram 12 portugueses em 24 de Março do ano passado devem ser julgados «até ao final do ano». «A investigação terminou, o dossiê foi comunicado à Procuradoria da República e tudo indica que o dossiê será julgado até ao final do ano, entre Setembro e Dezembro», afirmou a actual responsável do Ministério Público francês na região, precisando que a investigação «terminou há alguns dias».
Antoine Jauvat, advogado do jovem motorista português, confirmou à Lusa que o julgamento deverá acontecer «no último trimestre de 2017». «Ainda não temos uma data para o julgamento, mas tudo indica que vai ser este ano. Talvez na “rentrée” de Setembro, em todo o caso, “a priori”, no último trimestre de 2017, ainda que nenhuma data esteja marcada», afirmou o advogado.
O condutor, na ocasião com 19 anos, e o proprietário do veículo, tinham sido acusados de homicídio involuntário e ferimentos involuntários agravados e, de acordo com Antoine Jauvat, «o motorista incorre numa pena de sete anos de prisão no máximo e o tio, de memória, de cinco anos no máximo».
O advogado precisou que o jovem «está actualmente sob controlo judiciário» e «trabalha numa empresa de construção civil há vários meses», enquanto «de memória, o tio está em Portugal há alguns meses».
De acordo com a procura-dora Emmanuelle Fredon, o controlo judiciário está a ser «respeitado de forma rigorosa», implicando a «proibição de deixar o território – salvo se pedida autorização ao juiz de instrução – e a obrigação de assinalar a sua presença de forma regular à polícia». O advogado Antoine Jauvat acrescentou que o jovem continua com acompanhamento psicológico porque «é muito difícil para ele desde o acidente».
As 12 vítimas mortais, com idades entre os 7 e os 63 anos, viviam na Suíça e deslocavam-se a Portugal numa carrinha de seis lugares que embateu frontalmente com um veículo pesado na Estrada Nacional 79, na localidade de Moulins, um troço da RCEA (Estrada Centro Europa e Atlântico), conhecida por ser uma estrada perigosa.
A «perigosidade desta estrada» pode ser um dos elementos da defesa, afirmou o advogado. «Há verdadeira-mente um problema com esta estrada. Pouco tempo depois, alguns dos seus compatriotas tiveram um acidente num autocarro a alguns quilómetros dali, na mesma estrada. Claro que vamos falar. Não é um acaso que tenha acontecido nesta estrada. Sim, pode ser um elemento de defesa», comple-tou.
A 8 de Janeiro deste ano, também na Estrada Nacional 79, na direção Mâcon-Moulins, o despiste de um autocarro com 32 passageiros portugueses provocou quatro mortos, três feridos graves e 25 ligeiros.
A RCEA é conhecida como «a estrada da morte» e foi classificada como «a estrada mais perigosa de França» pelo jornal Libération, em Fevereiro deste ano, numa reportagem em que se revela o tráfego é de «10.000 veículos por dia, 40 por cento são veículos pesados».

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close